O caso do Banco Master tem aprofundado a crise de confiança nas instituições brasileiras. Nas redes sociais, o debate foca em narrativas simbólicas e políticas, em vez de análises técnicas, ampliando a deslegitimação do Judiciário e do sistema político.
O destaque é o contrato de R$ 36 milhões mensais envolvendo o escritório da esposa de um ministro do Supremo, gerando suspeitas sobre a ligação entre decisões judiciais e interesses privados. Isso reforça a percepção negativa e a polarização nas discussões públicas.
Embora não haja comprovação de ilegalidade, o episódio ilustra como a moralização do debate dificulta o fortalecimento das instituições. A crise de legitimidade favorece discursos contrários ao sistema vigente e impacta a estabilidade institucional.
O caso do Banco Master tem provocado um aumento na crise de legitimidade das instituições no Brasil. Dados da Palver indicam que a discussão nas redes sociais sucede associações simbólicas que ampliam a desconfiança no Judiciário e no sistema político. Em plataformas como WhatsApp e Telegram, debates tornam-se mais sobre personagens políticos e narrativas morais do que análise técnica dos fatos.
O destaque central recai sobre o contrato firmado pelo escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes com o banco, valorado em R$ 36 milhões mensais. Embora não haja ilegalidade comprovada, o episódio reforça uma percepção negativa acerca da relação entre poderes e interesses privados, aprofundando a deslegitimação pública. Picos de mensagens negativas contra Moraes e outros atores, como Lula e Ciro Nogueira, refletem a polarização do debate.
As redes associam ainda fatos externos, como a viagem do ministro Dias Toffoli com advogado ligado ao Banco Master, criando ligações simbólicas entre decisões judiciais e interesses privados, sem fundamentação técnica. Influenciadores digitais também são mencionados em investigações sobre promoção do banco, embora sem provas concretas.
Com apenas 11% das mensagens mencionando atores políticos, o conteúdo que viraliza prioriza julgamento e atribuição de culpa a figuras conhecidas, substituindo o exame aprofundado dos mecanismos judiciais e financeiros. Isso fortalece a rejeição ao sistema vigente e alimenta a ascensão de candidaturas com discursos contra o “sistema”.
O episódio do Banco Master evidencia um padrão recorrente no debate público brasileiro, onde prevalece a narrativa moral e simbólica em detrimento da análise técnica. Isso dificulta o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização e controle, alimentando a crise de confiança pública.
Via Folha de S.Paulo