Os investidores estão cada vez mais cautelosos em relação ao crédito corporativo. Essa preocupação surge entre grandes bancos e gestores de ativos, que percebem que os preços atuais superam as expectativas de crescimento econômico. Consequentemente, muitos estão recuando ou apostando contra o mercado na busca por proteção.
Recentemente, os spreads de crédito mostraram sinais de alerta, atingindo níveis que indicam um otimismo excessivo. Esse estreitamento do spread pode sinalizar uma vulnerabilidade no mercado, além de possíveis implicações para a estabilidade financeira global. Apesar de um desempenho positivo nas bolsas, o crédito ainda é considerado um ponto frágil.
Histórico sugere que momentos de queda no mercado de crédito são precursores de crises. Atualmente, investidores estão se preparando para possíveis correções e inadimplências, especialmente nos segmentos sensíveis da economia. A cautela se faz necessária neste cenário incerto.
Investidores estão demonstrando cautela em relação ao crédito corporativo, com muitos recuando ou apostando contra, devido aos altos preços e sinais de desaceleração econômica. Essa postura, vinda de grandes bancos e gestores de ativos, reflete uma preocupação de que os preços atuais do crédito superam as expectativas de crescimento econômico para este ano.
O mercado de crédito, em particular, tem mostrado sinais de alerta. O spread, que mede o prêmio pago por títulos corporativos em relação à dívida pública, atingiu um nível muito próximo de sua mínima histórica de 1998, de acordo com uma análise da Reuters. Esse estreitamento do spread sugere um otimismo excessivo que pode não se sustentar.
Apesar do bom momento nos mercados globais, com ações europeias em alta e índices de Wall Street perto de recordes, o crédito é visto por muitos como o ponto mais vulnerável. A fragilidade do crédito corporativo, especialmente nos Estados Unidos, pode impactar o crescimento global e, consequentemente, os mercados acionários.
Historicamente, o mercado de crédito tem sido um indicador antecedente de crises. Antes de quedas como a de 2018, causada pela guerra comercial entre EUA e China, e a turbulência de 2022, um fundo negociado em bolsa que acompanha o crédito corporativo de alta qualidade já apresentava declínio.
Stuart Kaiser, do Citi, observa um aumento na demanda por produtos que apostam contra o desempenho de índices de títulos, tanto de alta qualidade quanto de títulos junk. Esse movimento sugere que investidores estão se protegendo contra possíveis quedas nos mercados acionários nos próximos meses.
Florian Ielpo, da Lombard Odier Investment Managers, destaca que o crédito já está “liderando o mercado”, com mudanças observadas na superfície dos preços. Sua análise de índices globais de crédito revela uma queda na proporção de títulos corporativos com spreads em estreitamento.
Guy Stear, do Amundi Investment Institute, aponta que a dívida high-yield, predominante em setores economicamente sensíveis, é a mais suscetível a uma correção. Ele espera aumentos nos custos de refinanciamento e inadimplência, impulsionados por tarifas e pressões no fluxo de caixa.
Estrategistas como Matthew Mish, do UBS, argumentam que os spreads de crédito atuais refletem uma previsão de crescimento global irrealista. Van Luu, da Russell Investments, também considera o mercado de grau de investimento excessivamente otimista, adotando uma posição mais conservadora.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima em 40% a probabilidade de recessão nos EUA, com riscos adicionais para outras economias. Mish, do UBS, ressalta que muitos ativos de risco estão precificando um crescimento maior do que o esperado, mas os mercados de crédito são particularmente notáveis nesse aspecto.
O cenário atual exige atenção e cautela, com investidores e analistas monitorando de perto os sinais emitidos pelo mercado de crédito corporativo. A dinâmica do crédito corporativo pode ter implicações significativas para a estabilidade financeira global e o desempenho dos mercados de ações.
Via Money Times