He Jiankui, cientista chinês que criou os primeiros bebês com genes editados, voltou a trabalhar em pesquisas na China após cumprir três anos de prisão.
Ele foca agora em doenças como Alzheimer e distrofia muscular, enquanto a China regula e apoia pesquisas genéticas sob supervisão estatal.
He acredita estar “à frente do tempo” e defende o uso da edição genética para prevenir doenças, destacando o avanço acelerado da biomedicina chinesa.
He Jiankui, cientista chinês que ficou conhecido por criar os primeiros bebês geneticamente editados do mundo, retomou suas pesquisas em Pequim, focando em doenças como Alzheimer e distrofia muscular de Duchenne. Condenado e preso em 2019 por editar genes de embriões humanos, ele cumpriu três anos de prisão e agora trabalha em um laboratório apoiado pelo governo.
He, que não se arrepende do experimento que gerou controvérsia mundial, acredita que estava à frente do seu tempo. Para ele, a China está se tornando uma potência na área de biotecnologia, e há um crescente apoio público para uso da edição genética na prevenção de doenças. O pesquisador defende que sua edição genética visa prevenir enfermidades, não melhorar traços como inteligência, condenando esse tipo de uso.
A China estabeleceu novas regras proibindo alterações genéticas em células reprodutivas usadas para gerar bebês, mas mantém brechas para pesquisas sob supervisão estatal. He ressalta que a regulamentação atual indica uma abertura gradual do país para esse campo.
O cientista destaca que a biomedicina chinesa avança mais rápido que a americana, enfrentando menos barreiras éticas e regulatórias. Ele ainda comentou sobre o segredo em torno dos bebês editados, afirmando que não os trata como objetos de estudo, mas como pessoas.
He vive sob supervisão, com passaporte apreendido, e não pode deixar a China. Seu retorno às pesquisas reflete o interesse do país em liderar globalmente em ciência e tecnologia até 2049, especialmente em manipulação genética.
Via Folha de S.Paulo