Clara Pandolfo, química paraense, foi uma das primeiras mulheres a atuar na defesa da Amazônia durante a ditadura militar. Como diretora na Sudam, ela criticou a expansão da pecuária e os incentivos fiscais que incentivavam o desmatamento.
Nos anos 1970, Clara buscou soluções tecnológicas avançadas para monitorar a destruição ambiental, influenciando a criação do Prodes, sistema que acompanha o desmatamento até hoje. Sua atuação pioneira ajudou a manter parte da floresta preservada.
Sua história, contada no livro escrito pelo neto, revela a importância de sua visão para os desafios atuais da conservação da Amazônia e para a proteção do bioma ante as ameaças constantes.
A mulher que viu o futuro da amazônia e não gostou foi Clara Pandolfo, química paraense que atuou como Diretora de Recursos Naturais da Sudam durante a ditadura militar. Ela se manifestou contra a devastação causada pela expansão da pecuária e os incentivos fiscais à destruição das florestas, propondo o manejo sustentável da madeira antes mesmo de ambientalistas se organizarem para defender essa prática.
Nos anos 1970, o governo militar promovia a ocupação agressiva da floresta amazônica, oferecendo vantagens fiscais para desmatar e abrir pastagens em solo pobre, uma estratégia que Pandolfo criticava, porém tinha pouco poder de reação. Ela buscou alternativas tecnológicas para monitorar a destruição e, em 1978, procurou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais para usar imagens de satélites no acompanhamento do cumprimento da legislação ambiental, que então exigia a manutenção de 50% da mata intacta.
Essa iniciativa deu origem ao Prodes, sistema que até hoje acompanha o desmatamento, principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no Brasil. O livro Clara Pandolfo, Uma Cientista da Amazônia, escrito por seu neto Murilo Fiuza de Melo, detalha sua trajetória como uma das primeiras mulheres formadas em química no país e sua luta por causas sociais, incluindo o voto feminino.
A história de Clara revela como a combinação de ciência e tecnologia foi antecipada para proteger a amazônia e como sua visão crítica permanece relevante diante dos desafios atuais de conservação do bioma.
Via Folha de S.Paulo