A compreensão do zero: apenas seres conscientes entendem seu valor?

Entenda como o cérebro humano e animal percebe o zero e sua relação com a consciência.
21/01/2026 às 06:03 | Atualizado há 3 semanas
               
Falta completar a descrição para entender o que os neurônios especializados detectam. (Imagem/Reprodução: Redir)

O conceito de zero surgiu em diferentes culturas antes de ser aceito como um número. Na Índia, no século 7, o zero começou a ser tratado como um valor numérico válido, vencendo resistências, especialmente do pensamento ocidental.

Pesquisas mostram que o cérebro possui neurônios específicos que reconhecem o zero, tanto em conjuntos vazios quanto em símbolos. Essa percepção pode estar ligada à consciência de ausência e ao entendimento do nada.

Assim, a questão de que apenas seres conscientes conseguem compreender o zero destaca a ligação entre matemática e consciência humana, evidenciando a complexidade por trás dessa ideia aparentemente simples.

O conceito de zero foi criado em diferentes momentos da história, inicialmente como símbolo para indicar a ausência de valor em posições numéricas, como em 203, marco na Mesopotâmia e, isoladamente, na Mesoamérica. Só no século 7, na Índia, o zero passou a ser encarado como um número válido. A resistência ocidental se deu, em parte, pelo pensamento de Aristóteles, que afirmava que o nada não existia.

Pesquisas recentes investigam como o cérebro entende o zero e a ideia de ausência. Experimentos com macacos mostraram que existem neurônios específicos sensíveis ao zero, alguns ativados apenas por conjuntos vazios, enquanto outros respondem gradualmente, associando o zero ao menor número. Estudos com humanos confirmaram que certas células cerebrais reconhecem o zero tanto na forma de conjuntos vazios quanto em símbolos numéricos.

Essas descobertas indicam que nosso cérebro trata o zero, até certo ponto, como o menor dos números, e que os neurônios especializados podem estar ligados à percepção do nada. Isso levanta a questão se apenas seres conscientes, capazes de compreender a própria consciência, conseguem entender a ausência. A reflexão envolve como interpretamos situações do cotidiano, como perceber que não há pássaros em uma árvore, o que exige consciência dos próprios pensamentos.

Assim, a compreensão do zero está ligada tanto à matemática quanto à consciência humana, revelando a complexidade mental por trás de uma ideia que hoje consideramos simples.

Via Folha de S.Paulo

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