Em um cenário político cada vez mais polarizado e com a crescente complexidade das leis, empresas enfrentam o desafio de dialogar de forma eficaz com o poder público. O objetivo é defender seus interesses de maneira ética, estratégica e transparente. Esse foi o tema central do painel “Relações governamentais na era da hesitação: o desafio das marcas e dos comunicadores no mundo polarizado”, que ocorreu durante a 9ª edição do Aberje Trends, em São Paulo.
Felipe Oppelt, diretor de Public Affairs na consultoria Prospectiva, destacou que o contexto atual exige um novo posicionamento das empresas. Ele enfatizou a necessidade de profissionalização e democratização do processo decisório, especialmente diante da disseminação de narrativas extremas e notícias falsas.
Segundo Oppelt, a construção de políticas públicas eficazes depende da participação de diversos setores, incluindo o empresarial, com base em dados e evidências sólidas. Essa colaboração é fundamental para garantir que as políticas atendam tanto aos interesses sociais quanto aos econômicos.
Juliana Arantes Durazzo Marra, diretora de Comunicação e Assuntos Corporativos da Unilever Brasil, compartilhou um exemplo de atuação bem-sucedida. A marca Dove liderou um movimento junto ao Congresso Nacional para discutir políticas públicas de saúde mental para meninas, resultando no Projeto de Lei 329/2025.
Sarah Bonadio, diretora global de Assuntos Corporativos do Grupo Alpargatas, mediou o painel e levantou uma questão importante: o que fazer quando o diálogo institucional se torna inviável? Essa provocação gerou um debate sobre as alternativas para manter a comunicação e a influência nas decisões políticas.
João Vitor Vicente, coordenador de Relações Institucionais da Braskem, defendeu a transparência e o uso de dados e ciência nas negociações. Ele mencionou a participação ativa da Braskem nas negociações para o Acordo Global do Plástico, que busca promover a economia circular e mitigar os impactos ambientais.
Houve consenso de que o perfil do profissional de relações governamentais está mudando. A figura do “homem do cafezinho em Brasília” ficou no passado. Hoje, é necessário operar com dados, construir confiança e atuar com transparência para influenciar políticas públicas de forma eficaz.
O novo papel das empresas é construir pontes em meio à polarização, com consistência técnica, legitimidade social e responsabilidade institucional. Em tempos de desinformação, comunicar com clareza e negociar com fundamento são essenciais para influenciar políticas e proteger a reputação a longo prazo.
Via InfoMoney