O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou na ata de sua reunião em 24 de outubro que é necessário manter uma política monetária restritiva por um período prolongado. Este posicionamento se dá em razão do cenário atual de inflação elevada e expectativas desancoradas, além de incertezas globais. A Taxa de juros Copom foi aumentada em 0,25 ponto percentual, atingindo 15% ao ano, uma medida considerada essencial para garantir a convergência da inflação à meta de 3%, conforme estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
De acordo com a análise do Comitê, os dados recentes indicam um mercado de trabalho dinâmico, com significativa geração de empregos formais e queda na taxa de desemprego. Contudo, a desaceleração nos rendimentos tem sido notada, embora esses ainda se mantenham em níveis elevados, contribuindo para o aumento da renda das famílias. Esse movimento no mercado de trabalho é visto como parte dos mecanismos de transmissão da política monetária, que deve se intensificar ao longo do tempo, compatível com uma abordagem restritiva.
O Copom alerta que, apesar da queda nas expectativas inflacionárias para os próximos anos, a inflação continua acima da meta. As projeções de inflação para 2025 estão em 4,9% e para 2026 em 3,6%, evidenciando uma desancoragem nas expectativas que pode dificultar a convergência da inflação à meta estabelecida. Isso demanda uma política monetária contracionista por um tempo prolongado, uma vez que a inflação é influenciada por expectativas de aumento de preços não ancoradas adequadamente.
A instabilidade no cenário internacional, especialmente em relação à economia dos Estados Unidos, e os efeitos das políticas comerciais e fiscais em mercados financeiros globais, também são fatores que exigem precaução na política monetária interna. A crescente volatilidade nas condições financeiras internacionais, intensificada por tensões geopolíticas e aumento nas tarifas comerciais, traz desafios adicionais ao Brasil.
Adicionalmente, a situação no Oriente Médio e suas possíveis repercussões sobre o mercado de petróleo aumentam a incerteza sobre o futuro econômico. Mudanças nas decisões de investimento e consumo já estão sendo observadas, embora seja incerto o impacto real na economia doméstica. O país parece menos afetado por tarifas recentes em comparação a outros, mas ainda assim enfrenta um ambiente global desafiador.
O Copom também destacou que a política fiscal é crucial para garantir a estabilidade de preços. A falta de avanço em reformas fiscais ou a continuidade de políticas fiscais expansionistas podem resultar em pressões inflacionárias mais pronunciadas que exigiriam uma nova elevação na taxa de juros.
Por fim, o Comitê interrompeu temporariamente o ciclo de aumentos de juros para avaliar os efeitos acumulados das decisões passadas. O Copom enfatizou a importância de monitorar os impactos das políticas anteriores antes de decidir novas medidas, mas não descarta a possibilidade de retomar o ciclo de alta na taxa de juros se a situação exigir.
Via Exame