Crescimento da inadimplência e cheques sem fundos aumentam na Argentina

A crise econômica na Argentina intensifica a inadimplência e o número de cheques sem fundos, refletindo desafios sob a liderança de Milei.
04/06/2025 às 15:32 | Atualizado há 3 meses
Inadimplência na Argentina
Empresas e famílias enfrentam desafios financeiros em meio à inflação persistente. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

O ajuste fiscal implementado pelo governo de Javier Milei na Argentina tem mostrado sinais de sucesso na estabilização da economia. Contudo, a pressão financeira sobre famílias e empresas argentinas tem aumentado, refletindo-se em indicadores de crédito e inadimplência na Argentina. Bancos começam a reportar um aumento nos saldos vencidos de cartões de crédito e empréstimos pessoais, além de um número crescente de cheques sem fundos.

Os dados do Banco Central da Argentina revelam que os saldos vencidos de cartões de crédito atingiram 2,8% em março, o maior patamar em três anos. A inadimplência na Argentina em empréstimos pessoais também subiu para 4,1%, o nível mais alto em nove meses. Esse cenário desafiador destaca as dificuldades enfrentadas pelo governo Milei na implementação de seu plano de ajuste fiscal.

As provisões para créditos de liquidação duvidosa no sistema financeiro argentino alcançaram o pico dos últimos cinco anos, em relação ao total de ativos. A situação é particularmente tensa para as empresas, com o aumento da inadimplência na Argentina corporativa, indicando um futuro com mais dificuldades. A combinação de salários estagnados e inflação ainda alta, embora em declínio, tem impactado negativamente o poder de compra dos cidadãos.

Em abril, o número de cheques devolvidos ultrapassou 64 mil, o maior volume desde a pandemia, com uma taxa de rejeição de 1,3% em relação ao total de cheques compensados. Para efeito de comparação, nos EUA, essa taxa era de 0,8% em 2024, conforme dados do Federal Reserve. Essa elevação nos cheques sem fundos é um sintoma claro das dificuldades financeiras enfrentadas tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

Empresas dos setores de indústria, varejo, construção e entretenimento, especialmente as exportadoras, sentem o impacto da redução do consumo e das margens de lucro. Muitas companhias que antes se beneficiavam de empréstimos em pesos e arbitragem cambial agora enfrentam um ambiente mais desafiador. A recente onda de calotes corporativos aumentou o rigor na análise de emissores e títulos, com empresas como Albanesi SA já deixando de pagar juros.

A proximidade das eleições legislativas em outubro adiciona pressão sobre o governo Milei. Os investidores acompanharão de perto o resultado da votação para avaliar se o presidente mantém o apoio popular necessário para sustentar sua agenda de austeridade. A escolha entre estabilizar a economia e estimular o crescimento será crucial para o futuro do país.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.