O mercado de trabalho dos EUA em julho apresentou um enfraquecimento inesperado, gerando preocupação entre investidores. Revisões significativas nos dados levantaram dúvidas sobre a capacidade do Federal Reserve (Fed) de avaliar corretamente a situação econômica, aumentando a possibilidade de cortes nas taxas de juros.
Em julho, foram criadas apenas 73.000 vagas de trabalho fora do setor agrícola, um número consideravelmente abaixo das expectativas. Os dados revisados de junho também indicaram um aumento menor, com apenas 14.000 vagas adicionadas. Economistas consultados pela Reuters previam um aumento de 110.000 vagas em julho, contrastando com as 147.000 inicialmente estimadas para junho.
A divulgação do relatório ocorreu dois dias após o Fed manter sua taxa básica entre 4,25% e 4,50%, sem sinalizar cortes iminentes. Essa decisão diminuiu as expectativas do mercado por uma flexibilização na próxima reunião de política monetária, agendada para setembro.
Após a divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA, as chances de um corte de 25 pontos-base em setembro aumentaram para 81%, um salto notável em relação aos 38% registrados na quinta-feira, de acordo com o CME Group.
Matthew Miskin, da Manulife John Hancock Investments, observou que a deterioração dos dados econômicos dificulta o trabalho do Fed. As revisões nos números são significativas e podem alterar a forma como o Fed reage à economia, levando a uma reavaliação da última reunião.
O Departamento de Estatísticas do Trabalho informou que as revisões de maio e junho foram atipicamente altas, sem justificar a alteração dos números. No entanto, o órgão explicou que as revisões mensais refletem informações adicionais recebidas de empresas e agências governamentais, além do recálculo de fatores sazonais.
O aumento da folha de pagamento não agrícola em maio foi revisado para baixo em 125.000, de 144.000 para apenas 19.000. Já a revisão de junho reduziu o número em 133.000. No total, o emprego nos dois meses está 258.000 abaixo do que foi inicialmente divulgado.
Michael Green, da Simplify Asset Management, criticou o modelo de cálculos de folha de pagamento do governo dos EUA, argumentando que dados não confiáveis levam a políticas inadequadas.
Spencer Hakimian, da Tolou Capital Management, mencionou que as demissões em diversos departamentos governamentais, como parte dos planos de Donald Trump para reduzir gastos, o levaram a confiar em medidas alternativas de força econômica, como números de cartão de crédito e o Truflation, um índice de inflação alternativo.
Jerome Powell, presidente do Fed, afirmou que o mercado de trabalho dos EUA permanece forte, e que o banco central ainda está nos estágios iniciais de compreensão dos impactos da reforma dos impostos de importação e outras políticas governamentais na inflação, emprego e crescimento econômico.
Adam Hetts, da Janus Henderson Investors, destacou que esses números, se tivessem sido divulgados anteriormente, teriam mudado significativamente a percepção do mercado de trabalho ao longo do verão.
Após a divulgação do payroll, os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram. Os rendimentos de referência de dez anos cederam 15 pontos-base, atingindo 4,251%, em comparação com os 4,4% anteriores à publicação dos dados. Os rendimentos de dois anos também recuaram cerca de 20 pontos-base, para 3,753%, de 3,951% no início do dia.
As ações também sofreram queda, pressionadas pelas tarifas impostas por Donald Trump. A deterioração do mercado de trabalho dos EUA ocorre em meio ao aumento das tarifas sobre grandes parceiros comerciais, o que pode agravar a inflação e desacelerar a economia.
Jeff Schulze, da ClearBridge Investments, alertou para a possibilidade de um payroll negativo nos próximos meses, o que poderia gerar temores de uma recessão, especialmente com a criação de empregos estagnada e as tarifas como um obstáculo.
Via Money Times