Desafios econômicos ameaçam a sustentabilidade do produtor rural em 2026, alerta Roberto Rodrigues

Custos altos e queda na renda ameaçam a sobrevivência do produtor rural em 2026, segundo Roberto Rodrigues.
10/01/2026 às 15:39 | Atualizado há 13 horas
               
Juros altos e incertezas pressionam o campo; acordos e tecnologia trazem estabilidade. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O agronegócio brasileiro inicia 2026 com produção robusta, mas a renda dos produtores rurais está em queda. Custos elevados e juros altos pressionam a atividade, mesmo com aumento leve da safra.

Esse cenário ameaça a continuidade do trabalho no campo, podendo reduzir investimentos e áreas cultivadas nos próximos anos. A produtividade e o acesso a crédito são decisivos para o equilíbrio financeiro.

O cooperativismo surge como solução para reduzir custos e ampliar o crédito, especialmente para pequenos produtores. Roberto Rodrigues alerta para a necessidade de ampliar mercados e garantir sustentabilidade ao setor agrícola.

O agronegócio brasileiro começa 2026 em um cenário contraditório. A produção continua sólida, garantindo oferta interna e exportações. Porém, a renda do produtor rural se estreita, ameaçando a continuidade da atividade, conforme análises de Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e Embaixador da FAO para o Cooperativismo.

Os custos de produção seguem em alta, enquanto os preços internacionais, medidos em dólar, recuam. Os juros, por volta de 20% ao ano, tornam inviável fechar as contas — até mesmo quem obtém 15% de lucro operacional pode encerrar o ciclo no vermelho.

Apesar da safra 2025/2026 projetada em 354,4 milhões de toneladas, um aumento leve de 0,6% em relação ao ano anterior, essa robustez não se traduz em ganhos para o produtor. Produzir mais sem aumento de renda pode resultar, nos próximos anos, em redução de investimentos e de áreas cultivadas.

A produtividade, afetada por fatores como clima e crédito, torna-se decisiva para o equilíbrio financeiro. Alguns setores, como café e pecuária, enfrentam desafios específicos, incluindo tarifas elevadas da China sobre a carne bovina.

Além disso, ajustes na indústria de fertilizantes impactam a eficiência dos insumos, refletindo na produtividade. O cooperativismo é apontado como um caminho para aumentar inclusão, reduzir custos e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos produtores.

Rodrigues destaca ainda que o Brasil não aproveitou completamente seu peso político global na agropecuária. O desafio é ampliar mercados para acompanhar o crescimento da produção e garantir a sustentabilidade do setor.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.