Economista do Inter avalia clareza do Copom sobre cortes nos juros

Copom mantém Selic em 15% e indica possível corte em março, diz economista do Inter.
29/01/2026 às 08:43 | Atualizado há 7 horas
               
Rafaela Vitória mantém expectativa de corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas surpreendeu ao sinalizar que pode cortar juros já em março. A medida visa eliminar dúvidas das decisões anteriores e ancorar expectativas no mercado.

A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, destaca que o corte dependerá dos indicadores econômicos futuros. Ela projeta uma redução de 0,50 ponto percentual em março e alerta para riscos fiscais que podem limitar os cortes.

Apesar da queda do câmbio e desaceleração do crédito, a pressão fiscal e o ambiente político podem dificultar a queda da inflação, prevista em 3,90% para 2026, acima da meta central.

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem a taxa Selic em 15% ao ano, como esperado. No entanto, surpreendeu ao indicar explicitamente que poderá iniciar cortes no juros já em março, um movimento que buscou esclarecer dúvidas que haviam nas decisões anteriores. Para economistas, a comunicação mais clara ajuda a ancorar expectativas neste cenário.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, concorda com essa postura, reforçando que o início dos cortes dependerá dos resultados econômicos ao longo dos próximos meses. Ela mantém a projeção de um corte de 0,50 ponto percentual em março e vê a Selic fechando 2026 em 12,5%. Embora reconheça que cortes maiores seriam possíveis, o risco eleitoral e possíveis aumentos de gastos governamentais podem limitar essa flexibilização.

Vitória destaca que o cenário atual tem fatores positivos, como o câmbio em queda e desaceleração do crédito, mas o risco fiscal permanece no radar devido a um orçamento maior e a possíveis reajustes em programas sociais durante o ano eleitoral. Essa pressão pode dificultar a queda da inflação, que se espera terminar 2026 em torno de 3,90%, acima do centro da meta.

Sobre a decisão do Fed, a economista vê alinhamento com expectativas, mantendo juros sem mudanças e com possibilidade de cortes moderados ainda em 2024. No Brasil, a incerteza fica concentrada no impacto das decisões fiscais e no desenrolar político, que vão influenciar a trajetória dos juros daqui para frente.

Via Forbes

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.