O dólar à vista (USDBRL) atingiu seu menor valor do ano, rompendo a barreira de R$ 5,50 na última segunda-feira, um nível não visto desde outubro do ano anterior. Essa queda representa um recuo de aproximadamente 11% em relação ao real, marcando um período de desvalorização da moeda americana.
O desempenho da moeda americana reflete uma tendência de baixa também observada no índice DXY, que mede o valor do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, incluindo euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço. Desde janeiro, o DXY já acumula uma queda de 9%.
André Valério, economista sênior do Inter, em entrevista ao Money Times, atribui esse enfraquecimento do dólar à vista a um cenário global de incertezas, especialmente no contexto da administração Trump. Valério acredita que essa tendência de “fraqueza” do dólar deve persistir no curto prazo, impulsionada por fatores macroeconômicos globais.
As projeções do Inter indicam que o dólar à vista deve se manter na faixa entre R$ 5,50 e R$ 5,60 nos próximos meses. Valério destaca que, apesar dos ruídos fiscais domésticos, o cenário interno permanece relativamente estável, sem medidas que possam pressionar o mercado de câmbio no curto prazo.
Ainda que o real tenha demonstrado robustez nos últimos meses, Valério antevê um potencial para alguma desvalorização até o final do ano, com o dólar possivelmente encerrando 2025 cotado a R$ 5,70. Essa estimativa se aproxima da previsão de R$ 5,77 dos economistas consultados pelo Banco Central no Boletim Focus.
Essa projeção considera a possibilidade de uma saída de capitais em dezembro, embora com menor intensidade em comparação ao ano anterior. Em dezembro de 2024, o Brasil registrou a maior saída de capital de sua história. Valério ressalta que o ambiente próximo ao ciclo eleitoral tende a aumentar a incerteza e, consequentemente, a volatilidade.
Um dos fatores que contribuíram para o enfraquecimento do dólar à vista é a valorização da moeda em 2024, quando registrou alta de quase 28% sobre o real, atingindo cerca de R$ 6,20. Segundo André Valério, essa valorização “favoreceu” uma correção “mais intensa” nos primeiros meses deste ano.
Valério aponta que o dólar iniciou o ano com uma precificação elevada, e a incerteza no início do governo Trump gerou um movimento de cautela por parte do mercado, o que intensificou a correção. As ações do presidente Trump também influenciaram o enfraquecimento da moeda americana.
Em abril, Trump anunciou tarifas recíprocas sobre a importação de produtos estrangeiros nos EUA, mas posteriormente flexibilizou várias medidas e segue negociando com os países parceiros. Essa postura tem gerado incerteza e volatilidade no mercado, mesmo com uma certa trégua na guerra comercial com a China.
Apesar das incertezas, Valério considera prematuro afirmar o fim do ‘excepcionalismo americano’, ressaltando que a economia americana continua crescendo, o mercado de trabalho permanece saudável e a inflação se mantém fraca. No entanto, a incerteza sobre as tarifas gera dúvidas sobre a continuidade desse cenário.
Recentemente, as tensões geopolíticas também elevaram o grau de incerteza dos investidores, mas o reflexo no dólar à vista foi limitado. O Inter avalia que a escalada de tensão no Oriente Médio pode até ser positiva para o Brasil, que possui superávit comercial significativo em petroderivados e pode se beneficiar de preços mais altos do petróleo.
Em geral, países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil, são impactados positivamente pelo aumento dos preços das commodities, como petróleo e minério de ferro.
Via Money Times