O aumento das preocupações com o meio ambiente tem levado as empresas a repensarem suas estratégias de Comunicação de ESG. As mudanças climáticas e os desastres naturais intensificam a pressão para que as empresas demonstrem um real compromisso com a sustentabilidade. Essa nova realidade exige que as companhias equilibrem a comunicação de suas ações ambientais sem cair no greenwashing ou no greenhushing.
A comunicação corporativa enfrenta um dilema: como divulgar ações de sustentabilidade de forma transparente e eficaz? O greenwashing, que consiste em apresentar informações exageradas sobre as práticas ambientais da empresa, pode gerar desconfiança por parte dos consumidores. Por outro lado, o greenhushing, ou “silêncio verde”, que ocorre quando a empresa evita divulgar suas ações para não ser criticada, também pode ser prejudicial.
Ornella Nitardi, gerente sênior de Comunicação Corporativa da Basf para a América do Sul, ressalta a importância de ter cuidado com as informações divulgadas. Segundo ela, os consumidores estão cada vez mais críticos e exigentes em relação à sustentabilidade. Dados mostram que uma parcela considerável dos consumidores desconfia das ações de sustentabilidade divulgadas pelas empresas, o que exige narrativas bem construídas e baseadas em dados concretos.
A Tetra Pack, por exemplo, adotou a sustentabilidade como um pilar estratégico global. A empresa investe no desenvolvimento de novas embalagens e em programas de reciclagem. Há mais de duas décadas, a Tetra Pack apoia cooperativas de reciclagem no Brasil e investe em pesquisa e desenvolvimento para a preservação ambiental, incluindo a recuperação de florestas de araucárias. O objetivo é deixar um legado positivo no país, mostrando resultados tangíveis.
Para empresas digitais como a 99, o desafio é quantificar e comunicar o impacto de suas ações. A empresa reconhece o impacto ambiental de suas operações, especialmente no que se refere ao uso de energia fóssil e emissão de gases de efeito estufa. Para mitigar esse impacto, a 99 tem quantificado suas ações e investido na expansão de sua frota de carros elétricos.
A COP30, conferência climática da ONU que será realizada no Brasil, é vista como uma grande oportunidade para as empresas apresentarem suas ações de sustentabilidade. A expectativa é que a conferência impulsione ainda mais o trabalho das áreas de ESG e comunicação das empresas, incentivando a adoção de práticas mais transparentes e eficazes.
As empresas devem estar atentas às novas demandas dos consumidores e da sociedade em relação à sustentabilidade. A Comunicação de ESG deve ser transparente, baseada em dados e resultados concretos, evitando o greenwashing e o greenhushing. A COP30 é uma oportunidade para que as empresas demonstrem seu compromisso com a sustentabilidade e contribuam para um futuro mais verde.
Via InfoMoney