Empresário vende negócio por R$ 2,5 bilhões e inova com IA

Após a venda da empresa, empresário investe em IA para ajudar no tratamento da ansiedade e depressão.
01/07/2025 às 06:18 | Atualizado há 2 meses
Neuromodulação para saúde mental
Empresário investe em IA para transformar o tratamento da ansiedade e depressão. (Imagem/Reprodução: Exame)

Diagnosticado com a doença degenerativa Machado-Joseph, Bernardo Gomes decidiu mudar sua trajetória profissional ao buscar soluções que o ajudassem a lidar com a condição. Após diversos tratamentos, ele encontrou na neuromodulação para saúde mental uma maneira de aliviar os sintomas e desacelerar o avanço da doença. Essa experiência o levou a fundar a Bright Brains, uma clínica que combina ciência e inteligência artificial. A unidade inaugural foi aberta em abril de 2025, na Vila Olímpia, em São Paulo.

A Bright Brains tem uma proposta ambiciosa: fornecer protocolos personalizados de neuromodulação para o tratamento de distúrbios mentais e para o aprimoramento da performance cognitiva. Essa técnica já é utilizada, há mais de 30 anos, na medicina da Europa, tratando condições como depressão, ansiedade e insônia. No entanto, no Brasil, a aplicação da neuromodulação ainda é vista como experimental e pouco divulgada em cursos de medicina.

A clínica busca transformar esse cenário. Através de dados clínicos e testes cognitivos, a Bright Brains cria planos de tratamento validados por um grupo de especialistas. Os tratamentos são realizados com equipamentos que enviam pulsos elétricos ou magnéticos, dependendo do objetivo de ativar ou inibir regiões específicas do cérebro. Além do tratamento clínico, a Bright Brains também foca em um mercado voltado a executivos e atletas que desejam melhorar foco e produtividade.

Mas como funciona o tratamento de neuromodulação? Essa técnica atua diretamente no sistema nervoso, utilizando estímulos para regular a atividade neural. É uma abordagem não invasiva que envolve a aplicação dos estímulos diretamente no couro cabeludo ou pelo uso de implantes cirúrgicos. O processo, realizado com máquinas certificadas, dura entre 20 e 30 minutos e é indolor, não exigindo recuperação após a sessão.

Apesar dos benefícios reconhecidos, a neuromodulação não se popularizou entre médicos e fisioterapeutas no Brasil. Um dos fatores é a falta de inclusão desse tema nas grades curriculares das faculdades de saúde, deixando muitos profissionais sem conhecimento sobre a técnica. Além disso, o alto custo dos equipamentos, que variam entre R$ 5 mil e R$ 250 mil, dificulta o acesso e a adoção em larga escala.

Ao lado de Bernardo, estão Ricardo Galhardoni, um dos principais especialistas em neuromodulação da América Latina, e Fernando Pereira, investidor com experiência na área da saúde. O trio planeja replicar o modelo de crescimento que foi aplicado com sucesso na Sinqia, empresa de tecnologia que passaram a gerenciar. Eles visam não apenas tornar a Bright Brains um nome conhecido, mas também criar uma rede de clínicas acessíveis.

Com aproximadamente 500 mil afastamentos pelo uso de medicamentos para transtornos mentais, como destaca o Ministério da Previdência Social, o Brasil busca alternativas viáveis. A Bright Brains entra nesse vácuo, oferecendo pacotes de indução que variam de R$ 20 mil a R$ 30 mil. Embora não aceitem convênios atualmente, a clínica planeja capacitar profissionais que possam aplicar os protocolos, ampliando o alcance da técnica.

A meta da Bright Brains é expandir, com a abertura de 20 novas unidades. O foco inicial estará em cidades do interior de São Paulo e capitais do país. Este é um passo significativo em um setor que está em crescimento, com a demanda por tratamentos alternativos aos medicamentos tradicionais.

Via Exame

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.