Entendendo a frase de Einstein: Deus não joga dados e a mecânica quântica

Descubra como a mecânica quântica responde à frase famosa de Einstein sobre o acaso no universo.
25/02/2026 às 11:41 | Atualizado há 5 horas
               
A mecânica quântica revela a probabilidade como base da natureza, não o determinismo. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

Albert Einstein se posicionou contra a ideia de que o acaso é fundamental na natureza, expressando isso com a frase “Deus não joga dados”. No século XIX, a visão científica predominante era determinista, acreditando que o futuro do universo podia ser previsto se todas as condições iniciais fossem conhecidas.

Com o desenvolvimento da mecânica quântica, essa perspectiva foi desafiada. Experimentos envolvendo partículas entrelaçadas mostraram que o universo contém elementos aleatórios, o que foi confirmado com o prêmio Nobel de Física de 2022. Essa descoberta colocou em questão o determinismo clássico defendido inicialmente por Einstein.

Apesar disso, a evolução temporal das partículas no nível quântico segue um padrão determinista, e a aleatoriedade aparece apenas durante a observação. Pesquisas continuam buscando formas de conciliar essa aleatoriedade com princípios fundamentais da física, mostrando que o debate filosófico e científico permanece ativo.

Albert Einstein afirmou que Deus não joga dados para expressar sua objeção à ideia de que o acaso fosse fundamental à natureza. No século XIX, a ciência considerava o Universo inteiramente determinista, como exemplificado por Pierre-Simon Laplace, que imaginava uma inteligência capaz de prever tudo se conhecesse as condições iniciais das partículas.

Com o avanço da mecânica quântica, essa visão mudou. Max Born defendeu que o acaso faz parte da essência dos fenômenos quânticos, em contraste com a ideia de Einstein de que deveriam existir variáveis ocultas para explicar o aparente randomness. Essa discussão permaneceu filosófica até 1964, quando John S. Bell formulou desigualdades que poderiam ser testadas para avaliar o determinismo e o acaso na física.

Um experimento hipotético envolve duas “moedas quânticas” que podem ser lançadas em direções distintas por dois cientistas, Cristina e João. Seus resultados apresentam correlações que, segundo as desigualdades de Bell, deveriam indicar se o universo é determinista ou não, respeitando princípios como localidade e livre arbítrio.

Testes reais com fótons entrelaçados demonstraram que as desigualdades de Bell são violadas, resultado que afastou o determinismo local, respaldando a ideia de que o Universo contém elementos aleatórios. Essa descoberta foi reconhecida com o Nobel de Física de 2022 para Clauser, Aspect e Zeilinger.

Entretanto, a evolução temporal no nível quântico é determinista, e a aleatoriedade surge apenas na observação, que pode ocorrer naturalmente, como na desintegração de partículas. Ainda há debates sobre alternativas que conciliem determinismo e não-localidade, como a mecânica bohmiana, ou ideias filosóficas como o superdeterminismo.

Via The Conversation

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.