A inovação é hoje um dos principais focos de desenvolvimento econômico no Espírito Santo. O Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), anunciou investimento superior a R$ 200 milhões em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) para o biênio 2025/2026. Com novos editais e programas sendo lançados periodicamente, o ambiente mostra-se cada vez mais favorável para quem deseja inovar.
Mas há um ponto que especialistas fazem questão de reforçar: inovar está longe de ser um processo simples. Exige dedicação constante, pesquisa, testes e reajustes contínuos.
Para aprofundar o tema, conversamos com o Consultor e Mentor Empresarial Luis Matsumoto, que atua há quase 20 anos nas áreas de Empreendedorismo, Inovação e Gestão Financeira, além de já ter sido palestrante no Sebrae e no Senac. Segundo ele, mesmo diante de um cenário promissor, muitos empreendedores ainda cometem erros básicos, especialmente no início da jornada.
1º ERRO: NÃO SABER QUEM É O SEU PÚBLICO
O primeiro erro é não definir com clareza o público-alvo.
“Muitos querem vender para todo mundo, especialmente no começo do negócio”, explica Matsumoto.
O problema é que, ao tentar atingir todos, o empreendedor acaba não se conectando com ninguém de forma efetiva. A comunicação se enfraquece, a mensagem se torna genérica e o público não compreende exatamente o que está sendo oferecido. Na prática, o consumidor não entende o que a sua solução inovadora faz e como ela poderá ajudá-lo.
Quando não há clareza sobre quem é o cliente ideal, o posicionamento se torna confuso e a proposta de valor perde força. “Fatalmente isso recai na falta de posicionamento”, destaca o especialista.
2º ERRO: NÃO COMPREENDER QUAL PROBLEMA ESTÁ RESOLVENDO
O segundo erro é ainda mais estrutural: não saber exatamente qual problema o negócio se propõe a resolver.
“Não saber o problema que está resolvendo significa não entender a dor do cliente”, afirma.
Para Matsumoto, a inovação parte da identificação clara de uma necessidade real. Sem isso, qualquer produto ou serviço tende a ser apenas mais uma oferta no mercado, sem diferencial, relevância ou impacto aos olhos do consumidor, que passa a enxergar o projeto como algo irrelevante: “apenas mais uma oferta”.
3º ERRO: CONFUNDIR PRODUTO COM SOLUÇÃO
O terceiro equívoco comum é confundir produto com solução.
“Muitos desconhecem a solução e acabam confundindo produto com solução”, explica.
Na prática, isso significa focar nas características do que está sendo vendido, e não no resultado que aquilo gera para o cliente. Trata-se de uma falha na compreensão entre oferta e valor: oferta é o que você apresenta ao mercado, enquanto valor é o impacto que sua solução gera na vida das pessoas.
Para inovar é necessário refletir: “O que a minha solução gera na vida do meu cliente? Mais tempo? Mais tranquilidade? Mais resultado financeiro?”
A resposta pode transformar completamente a forma como o empreendedor comunica e vende sua inovação.
Segundo Matsumoto, esses estão entre os pontos mais arriscados dentro de um negócio. “Eu poderia citar outros tantos erros, mas esses são os que mais percebo nas minhas mentorias”, afirma.
INOVAÇÃO NÃO É SINÔNIMO DE TECNOLOGIA
O consultor também chama atenção para um equívoco conceitual recorrente: associar inovação exclusivamente à tecnologia.
“Muitos confundem inovação com tecnologia. Esse é um paradigma que precisa ser quebrado”, diz.
É comum que empreendedores, especialmente os mais jovens, desenvolvam ferramentas tecnológicas que já existem no mercado em formatos semelhantes. Nesses casos, trata-se mais de uma adaptação tecnológica individual do que de uma solução verdadeiramente inovadora.
Para Matsumoto, inovar vai além de criar uma tecnologia. É um processo empreendedor que envolve diversos aspectos técnicos. Quanto mais conhecimento o empreendedor buscar, melhor e mais inovadora a solução será.
Em um cenário de forte incentivo público à inovação, o alerta do especialista é claro: é necessário entender profundamente o cliente, o problema e a solução proposta.
Esses três pilares são o que sustentam uma inovação consistente e com potencial real de mercado.
Este foi o artigo desta semana.
Espero que essas reflexões contribuam com a sua jornada empreendedora.
Para conhecer mais sobre o trabalho de Luis Matsumoto, acompanhe seus canais profissionais:
LinkedIn: www.linkedin.com/in/luis-matsumoto-3229a314
WhatsApp: 011 98987-5800
Site: www.empreendedorismo.com.br
Luis Matsumoto fará uma palestra no dia 10 de março de 2026, na Casa da Cultura, em Olímpia (SP), sobre empreendedorismo.
Até o próximo artigo.
Gabriel Beiriz – Consultor Empresarial e Tributário
Via: Estes são os 3 principais erros que empreendedores cometem ao inovar, aponta especialista
