Um estudo recente analisou 491 espécies de primatas e identificou homossexualidade em 59 delas, sugerindo uma origem evolutiva profunda para esse comportamento. Essas interações ocorrem com mais frequência em ambientes complexos e sob pressão, como locais com predadores ou recursos limitados.
O biólogo Vincent Savolainen destaca que a diversidade sexual tem papel social, ajudando a fortalecer vínculos e a administrar conflitos nos grupos. O comportamento pode ser uma adaptação a sociedades com competição intensa, especialmente em espécies com grande diferença entre machos e fêmeas.
A pesquisa amplia o entendimento sobre dinâmicas sociais animais e seus benefícios evolutivos. Ela mostra que esses comportamentos também podem ter influências nos ancestrais humanos, embora a orientação sexual humana seja mais complexa e ainda pouco compreendida.
Um estudo recente sugere que a homossexualidade em animais pode ter uma origem evolutiva profunda. A pesquisa analisou 491 espécies de primatas não humanos, identificando comportamentos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo em 59 delas. Essas interações são mais comuns em ambientes complexos e sob pressão, como locais com risco elevado de predadores ou recursos escassos.
O biólogo Vincent Savolainen, líder do estudo, destaca que a diversidade de comportamentos sexuais é frequente e desempenha papel social importante, auxiliando no fortalecimento de vínculos e na gestão de conflitos em grupos sociais. Essa flexibilidade pode ser uma adaptação às condições adversas enfrentadas pelas espécies.
O estudo também aponta que essas práticas são observadas com maior intensidade em espécies com grande dimorfismo sexual, onde machos e fêmeas diferem consideravelmente em tamanho, como nos gorilas-das-montanhas. Esse traço está ligado a sociedades estruturadas em hierarquias rígidas e competição intensa.
Além disso, existe a hipótese de que, entre ancestrais humanos, fatores semelhantes podem ter influenciado comportamentos sexuais, embora a complexidade da orientação humana seja muito maior e ainda pouco compreendida em detalhes pela ciência.
Pesquisas anteriores indicam que para alguns primatas, como macacos rhesus, relações entre machos formam alianças que podem resultar em maior acesso a parceiras e potencial reprodutivo. Isso reforça a ideia de que o comportamento pode trazer benefícios evolutivos e sociais.
O estudo foi publicado no periódico Nature Ecology & Evolution, ampliando a compreensão sobre a dinâmica social animal e os possíveis motivos por trás do comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo.
Via Folha de S.Paulo