Nos Estados Unidos, grandes empresas estão controlando o desenvolvimento das terapias psicodélicas por meio de patentes, principalmente para tratar depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A FDA deve liberar o uso clínico da psilocibina sintética até 2026, enquanto outras drogas, como o MDMA, enfrentam rejeições.
Além disso, várias companhias mudaram suas identidades para focar em versões sintéticas dessas substâncias psicodélicas. Esse controle corporativo limita o avanço de projetos filantrópicos e levanta debates sobre o acesso e a comercialização dessas terapias, especialmente em estados americanos que liberaram o uso adulto da psilocibina.
O cenário pode reproduzir padrões parecidos com outros medicamentos controlados, como o spray nasal de cetamina, que faturam alto mesmo sem comprovar vantagens em relação a versões comuns, levantando questionamentos sobre o futuro dessas novas terapias.
Enquanto jovens americanos nos anos 1960 se agitavam contra a Guerra do Vietnã e exploravam o uso do LSD, hoje um novo cenário domina as terapias psicodélicas. Estados Unidos lideram um processo de “domesticação forçada”, onde grandes corporações usam patentes para controlar o desenvolvimento desses tratamentos, especialmente contra a depressão e o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Espera-se que a FDA libere ainda em 2026 o uso clínico da psilocibina sintética, patenteada pela Compass Pathways como COMP360, voltada para a depressão. O MDMA, conhecido como ecstasy, quase foi aprovado para tratar TEPT, principalmente em ex-combatentes, que enfrentam índice alto de suicídios. Porém, o pedido da Lykos Therapeutics foi rejeitado em 2024, e a empresa mudou seu nome para Resilient Pharmaceuticals, buscando reposicionamento no mercado.
Outras empresas também alteraram suas identidades para um formato mais “farmacológico”: a Cybin virou Helus Pharma, e a MindMed, Definium Therapeutics, focando em versões sintéticas de psilocibina e LSD, respectivamente. A Beckley PsyTech, agora AtaiBeckley, desenvolve uma fórmula para depressão derivada de veneno do sapo Incilius alvarius, com status de terapia inovadora pela FDA.
O movimento corporativo contrasta com a origem filantrópica do renascimento psicodélico, iniciado por ex-hippies e pesquisadores. Patentes são usadas para bloquear projetos sem fins lucrativos, como o do Instituto Usona. A situação reacende debates sobre acesso e cartelizacão da biomedicina em estados como Oregon, Colorado e Novo México, que liberaram o uso adulto da psilocibina.
Esse controle corporativo pode reproduzir padrão semelhante ao do Spravato, spray nasal de cetamina com alto faturamento, embora não prove superioridade à cetamina comum de domínio público.
Via Folha de S.Paulo