Exportação de sucata desafia indústria brasileira de alumínio

Exportação crescente de sucata prejudica produção nacional de alumínio e pressiona mercado brasileiro.
11/12/2025 às 08:23 | Atualizado há 4 meses
               
O Brasil recicla grande parte do alumínio, mas exportar sucata pode comprometer isso. (Imagem/Reprodução: Investnews)

A reciclagem de alumínio é essencial para a indústria brasileira, representando 60% do consumo. O Brasil destaca-se mundialmente por aproveitar sucata reciclada, reduzindo custos e impactos ambientais.

No entanto, a exportação da sucata tem aumentado devido à demanda externa, especialmente da China. Essa saída de matéria-prima eleva preços e dificulta o abastecimento local, ameaçando a cadeia produtiva nacional.

A situação pode se agravar com possíveis restrições internacionais. Setores alertam para os riscos da dependência da exportação, o que torna vital encontrar soluções para proteger a indústria brasileira.

O alumínio é um dos poucos metais que podem ser reciclados infinitamente, mantendo a mesma pureza do material original, com custo muito inferior ao processo de mineração. No Brasil, seis em cada dez toneladas consumidas vêm da reciclagem, o dobro da média global, graças ao investimento em plantas especializadas. No entanto, esse avanço enfrenta desafios importantes.

Produzir alumínio a partir da bauxita exige um consumo de energia cerca de 20 vezes maior do que a reciclagem da sucata, que já passou pelo processo e pode ser reutilizada facilmente. A cadeia nacional conta com mais de um milhão de toneladas recicladas anualmente, representando metade da produção, mas o Brasil importa mais sucata do que exporta.

A dificuldade na obtenção de sucata local é agravada pela alta exportação da matéria-prima, que cresce devido à demanda internacional, especialmente da China. O país asiático busca ampliar sua capacidade de reciclagem para reduzir emissões de carbono, aumentando a pressão sobre o mercado global e elevando os preços. A tarifa americana reduzida para sucata, em comparação com o alumínio primário, favorece a exportação brasileira, mas cria risco para a indústria nacional.

Em resposta, a União Europeia já planeja impor restrições às exportações para proteger sua produção. No Brasil, a Associação Brasileira do Alumínio aponta para um risco sistêmico no setor, já que a saída acelerada da sucata fragiliza a cadeia produtiva local.

Via InvestNews

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.