Fenômeno psicológico que conecta sons e formas é identificado também em pintinhos

Estudo revela que pintinhos reconhecem sons associados a formas, fenômeno psicológico antes identificado apenas em humanos.
11/03/2026 às 13:01 | Atualizado há 3 horas
               
A descrição destaca uma conexão ancestral entre percepção visual e sonora em cérebros vertebrados. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Um estudo recente mostrou que pintinhos recém-nascidos respondem ao fenômeno bouba-kiki, conectando sons a formas visuais. Os pintinhos associam o som “bouba” a formas arredondadas e “kiki” a formas pontiagudas.

Experimentos confirmaram que essa resposta é instintiva, presente mesmo em aves muito jovens. Isso sugere que essa associação sensorial é uma característica evolutiva comum a vertebrados, não apenas um fenômeno cultural humano.

A pesquisa amplia o entendimento sobre como o cérebro processa estímulos sensoriais e aponta para uma base evolutiva compartilhada na percepção entre espécies diferentes.

Um estudo recente publicado na revista Science revelou que o cérebro dos seres humanos e de pintinhos recém-nascidos compartilha uma característica curiosa envolvendo o fenômeno bouba-kiki. Essa associação psicológica conecta sons a formas visuais, mostrando que o som “bouba” está ligado a formas arredondadas, enquanto “kiki” combina com formas pontiagudas.

Psicólogos da Universidade de Pádua experimentaram com pintinhos de apenas três dias para entender até que ponto esse efeito está presente fora dos humanos. Os animais foram expostos a painéis decorados com formas distintas, acompanhados dos sons “bouba” ou “kiki”. O resultado mostrou que os pintinhos tendiam a se dirigir à forma arredondada quando ouviam “bouba”, e à pontiaguda ao som de “kiki”.

Essa associação foi confirmada em outra experiência, com pintinhos de um dia, que assistiam a objetos em movimento em telas de vídeo, reforçando a ideia de que essa conexão entre som e forma é instintiva e não puramente cultural.

Os pesquisadores indicam que o fenômeno bouba-kiki está enraizado na evolução dos vertebrados, sugerindo que aves e mamíferos, além do ancestral comum desses grupos, possuem esse padrão cerebral para processar estímulos sensoriais de maneira semelhante. Contudo, isso não implica que esses animais tenham linguagem ou pensamento simbólico similar ao humano, mas revela uma base compartilhada para a percepção sensorial.

Essa descoberta amplia o entendimento da relação entre som e visão no cérebro e levanta novas questões sobre as origens evolutivas da percepção sensorial em diferentes espécies.

Via Galileu

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.