A moratória da soja, que proibiu a comercialização da soja proveniente de áreas desmatadas na Amazônia desde 2008, chegou ao fim. Essa mudança ocorre em decorrência de uma lei do Mato Grosso que condiciona benefícios fiscais à participação em acordos restritivos da agropecuária, valendo a partir de 2026.
Com o fim do pacto, associações do setor anunciam a retirada para evitar perdas fiscais, enquanto cresce o debate sobre a vulnerabilidade de milhões de hectares de vegetação nativa à abertura para o plantio. A rastreabilidade do produto para mercados internacionais ganha mais importância.
Especialistas apontam que o foco agora está em comprovar que a soja não traz riscos ambientais e em incentivar a conservação das áreas florestadas. Plataformas tecnológicas podem financiar serviços ambientais, unindo investidores, produtores e indústria numa nova fase de combate ao desmatamento.
A moratória da soja, acordo que impediu a comercialização de soja oriunda de áreas desmatadas na Amazônia após 2008, chegou ao fim. O pacto envolvia tradings e produtores, bloqueando negócios com quem desmatasse, mesmo dentro dos limites legais. A mudança ocorre após lei estadual do Mato Grosso, aprovada em 2024, que condiciona benefícios fiscais à participação em acordos de restrição agropecuária, valer desde o último dia de 2025.
Com isso, a Abiove, associação das indústrias de óleos vegetais, anunciou a saída da moratória para evitar perdas fiscais, como as bilhões recebidas por Bunge e ADM no Mato Grosso. Esse cenário traz à tona a existência de cerca de 8 milhões de hectares de vegetação nativa com aptidão agrícola na Amazônia, potencialmente vulneráveis a desmatamento.
O Código Florestal estabelece 80% de reserva legal na região, mas a moratória ia além, proibindo o uso de áreas desmatadas após 2008 para soja. Sem o pacto, o princípio da rastreabilidade de produtos para mercados internacionais, especialmente a Europa, que exige comprovação contra desmatamento, ganha ainda mais importância.
Segundo Sérgio Rocha, CEO da Agrotools, o foco agora é a capacidade de cada empresa demonstrar que seus produtos não trazem risco ambiental, e remunerar produtores para que preservem áreas florestadas. A Agrotools propõe plataformas tecnológicas para financiar serviços ambientais e projetos de baixo carbono, conectando investidores, produtores e indústrias numa nova abordagem para o combate ao desmatamento.
Essa transição marca o fim de uma era, demandando soluções que alinhem produção e conservação em um mercado com exigências socioambientais cada vez mais firmes.
Via Brazil Journal