A inteligência artificial (IA) gera debates intensos sobre o futuro do trabalho. Garry Bolles, especialista no tema, revela que a expressão “inteligência artificial” pode ser mais marketing do que realidade. Ele adverte sobre a importância de um olhar crítico, considerando os riscos envolvidos na adoção massiva dessa tecnologia.
Durante o IT Forum Praia da Forte, Bolles discutiu a linguagem em torno da IA, que costuma criar um ambiente de urgência. Ele acredita que personificar a tecnologia pode levar a uma entrega de poder excessiva às empresas de tecnologia, afetando a autonomia humana. O especialista menciona episódios alarmantes, como advogados que confiaram excessivamente no ChatGPT, resultando em erros graves.
Bolles também destaca a relação das startups com grandes empresas do Vale do Silício. Enquanto essas últimas são descritas como tubarões, as novas ideias são comparadas a tartarugas, necessitando inovar para sobreviver. Ele enfatiza que, apesar do impacto da automação em alguns empregos, a habilidade humana em solucionar problemas deve prevalecer para garantir um futuro mais promissor.
A inteligência artificial (IA) está no centro de debates sobre o futuro do trabalho e da economia. **Garry Bolles**, especialista em **futuro do trabalho** e autor de best-sellers, alerta para a necessidade de um olhar crítico sobre o termo “inteligência artificial”. Segundo ele, a expressão pode ser mais uma estratégia de marketing do que uma representação da realidade prática.
Bolles, que tem mais de 40 anos de experiência no Vale do Silício, compartilhou suas perspectivas durante o IT Forum Praia da Forte. Ele questiona o uso da linguagem em torno da IA, argumentando que muitas vezes ela serve para criar um senso de urgência e oportunidade perdida.
Para Bolles, a chave é ver a IA como um conjunto de processos que auxiliam na solução de problemas, e não como uma entidade inteligente autônoma. Ele enfatiza que personificar a tecnologia pode levar a uma delegação excessiva de poder às empresas de tecnologia, diminuindo a capacidade de tomada de decisão humana.
Um dos riscos apontados por Bolles é a falta de questionamento das informações geradas pela IA, especialmente em áreas onde o usuário não possui conhecimento especializado. Ele cita o exemplo de advogados que usaram o ChatGPT para criar petições judiciais com citações inexistentes, um fenômeno que ele chama de “viés humano” da tecnologia.
Quanto à possibilidade de uma Bolha da IA, Bolles reconhece que o ciclo de investimentos maciços seguido por desilusão é comum no setor tecnológico. No entanto, ele observa que as empresas de IA conseguiram manter os preços baixos devido ao grande volume de capital arrecadado. Isso pode mascarar as reais condições de mercado e criar uma dependência perigosa, onde os usuários ficam à mercê das empresas fornecedoras de tecnologia.
Bolles compara as startups do Vale do Silício a tartarugas marinhas, e as grandes empresas de tecnologia a tubarões. Nesse cenário, as startups precisam inovar para atrair o interesse dos grandes players, que buscam investir ou adquirir empresas promissoras.
Em relação ao futuro do trabalho, Bolles acredita que a automação de tarefas básicas pode impactar certos cargos, como o de atendimento ao cliente. No entanto, ele rejeita a narrativa de que todos os empregos desaparecerão, destacando a importância da capacidade humana de resolver problemas em economias em crescimento.
Bolles também aborda a complexidade do papel da IA na geopolítica global. Ele defende a cocriação como o caminho para um mundo melhor, rejeitando a ideia de que uma única fonte ou grupo de pessoas terá todas as respostas.
Outro ponto levantado por Bolles é o impacto ambiental do uso intensivo de recursos naturais para alimentar as tecnologias de IA. Ele apela à transparência das empresas de tecnologia em relação ao consumo de energia e incentiva o investimento em alternativas mais sustentáveis.
Para os países do Sul Global, como o Brasil, Bolles recomenda a digitalização e o registro de informações para refletir sua cultura e idioma nos modelos de IA. Ele também enfatiza a importância de aproveitar a infraestrutura local e investir em educação para desenvolver o pensamento crítico e a solução colaborativa de problemas.
Por fim, Bolles expressa preocupação com o impacto da tecnologia e das redes sociais em crianças e adolescentes. Ele defende a implementação de limites de proteção nas redes sociais e o desenvolvimento de ferramentas para ajudar os pais a compreender e mitigar os efeitos negativos da tecnologia em seus filhos.
Via Forbes Brasil