O relatório do Goldman Sachs revela que o déficit fiscal do setor público no Brasil superou 8% do PIB, indicando uma postura reluctante do governo em controlar gastos. Essa situação compromete a credibilidade das metas fiscais e contribui para o superaquecimento da economia.
A dívida pública brasileira aumentou em 2025, chegando a 78,7% do PIB, e o banco projeta déficits primários contínuos. Para reduzir a dívida, seriam necessários superávits primários acima de 2% do PIB, cenário considerado improvável a curto prazo.
No mercado de trabalho, a baixa taxa de desemprego e o crescimento real dos salários mantêm as pressões sobre os custos, sugerindo cautela na política monetária do Banco Central.
O déficit fiscal do setor público consolidado voltou a superar 8% do PIB, segundo relatório do Goldman Sachs, após dados do Banco Central. O déficit total chegou a 8,34% do Produto Interno Bruto em 12 meses, com resultado primário consolidado negativo em 0,43% do PIB. Apesar de ter registrado superávit de R$ 6,3 bilhões em dezembro, o valor ficou abaixo do apurado no ano anterior.
De acordo com o economista Alberto Ramos e sua equipe, uma postura fiscal pró-cíclica e a relutância em controlar gastos prejudicaram a credibilidade das metas fiscais, contribuindo para o superaquecimento da economia. O relatório destaca que esse cenário enfraquece a confiança nas políticas fiscais e aumenta os prêmios de risco, dificultando a ancoragem das expectativas de inflação no curto e médio prazos.
A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, acima dos 71,7% registrados no final de 2022, com tendência de alta. Considerando critérios do FMI, que inclui títulos na carteira do Banco Central, esse percentual sobe para 93,4% do PIB. O Goldman Sachs estima que o resultado primário seguirá deficitário e que a dívida continuará crescendo.
O banco projeta que, para reduzir a dívida, seriam necessários superávits primários acima de 2% do PIB, um cenário considerado improvável a curto prazo. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego historicamente baixa, combinada ao crescimento real dos salários, mantém pressões nos custos, principalmente em serviços que demandam mão de obra. Isso sugere uma postura cautelosa do Banco Central na política monetária.
Via InfoMoney