Google analisa as mudanças no Artigo 19 do Marco Civil da Internet

Entenda como o Google está avaliando as recentes modificações no Artigo 19 do Marco Civil da Internet.
27/06/2025 às 15:32 | Atualizado há 2 meses
Artigo 19 do Marco Civil
Empresa se pronuncia após decisão do STF nesta sexta-feira. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu um julgamento que pode transformar a forma como as plataformas digitais lidam com o conteúdo gerado por seus usuários. A decisão, que considerou inconstitucional o Artigo 19 do Marco Civil da Internet, estabelece novas diretrizes sobre a responsabilidade das redes sociais e provedores de aplicações. A medida visa combater a disseminação de conteúdos ilegais, como terrorismo e discurso de ódio.

A mudança altera o entendimento anterior, que protegia a liberdade de expressão e evitava a censura prévia. Antes, as plataformas só eram responsabilizadas se, após uma ordem judicial, não removessem o conteúdo infrator dentro de um prazo específico. Agora, a responsabilização pode ocorrer também por meio de notificações extrajudiciais, exigindo uma atuação mais proativa na moderação de conteúdo.

Essa nova interpretação do Artigo 19 do Marco Civil da Internet gerou debates acalorados. De um lado, especialistas argumentam que a medida é essencial para proteger a sociedade de conteúdos nocivos. Do outro, há preocupações sobre o impacto na liberdade de expressão e a possibilidade de remoção excessiva de conteúdos legítimos.

O Google, por exemplo, expressou suas preocupações sobre as possíveis consequências dessa mudança. Em um posicionamento oficial, a empresa afirmou que está analisando a decisão e seus impactos em seus produtos, especialmente em relação à ampliação dos casos de remoção mediante notificação. Fábio Coelho, CEO do Google no Brasil, já havia manifestado o receio de que a medida possa levar a uma remoção preventiva excessiva de conteúdos, afetando o debate público.

A decisão do STF tem efeito vinculante imediato, mas ainda precisa ser regulamentada pelo Congresso Nacional. Essa regulamentação é fundamental para garantir a segurança jurídica e o equilíbrio entre a liberdade de expressão, a inovação e a proteção dos direitos fundamentais. O desafio será encontrar um meio-termo que permita combater os conteúdos ilegais sem comprometer a livre circulação de informações e ideias na internet.

A nova interpretação do Artigo 19 do Marco Civil da Internet pode gerar um aumento na pressão sobre as plataformas para monitorar e remover conteúdos. Isso exigirá investimentos em tecnologia e equipes de moderação, além de um cuidado redobrado para evitar a remoção de conteúdos legítimos. As empresas também precisarão se adaptar às novas regras e estabelecer processos claros para responder às notificações extrajudiciais.

O debate sobre a responsabilização das plataformas digitais por conteúdo de terceiros é complexo e multifacetado. Envolve questões como liberdade de expressão, direito à informação, combate à desinformação e proteção de direitos fundamentais. A decisão do STF reacendeu esse debate e colocou em evidência a necessidade de um marco regulatório claro e equilibrado para a internet no Brasil.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.