O Brasil está determinado a integrar os setores automotivo e açucareiro ao Mercosul, aproveitando sua presidência pro tempore do bloco na próxima cúpula de presidentes que ocorrerá em Buenos Aires. Desde a criação do Mercosul, há 34 anos, esses segmentos nunca foram contemplados pela Tarifa Externa Comum (TEC). O objetivo é que essas áreas se integrem de maneira gradual, minimizando impactos negativos.
Francisco Canabrava, diretor do Departamento do Mercosul do Itamaraty, afirmou que a inclusão desses setores é complexa. Ele ressaltou a necessidade de um processo cuidadoso, considerando as especificidades que levaram à exclusão inicial dessas indústrias do Mercosul.
Atualmente, o comércio de automóveis entre Brasil e Argentina é regulado por acordos de cotas, limitando a entrada de veículos sem a taxa de importação de 35%. O Brasil propõe uma política automotriz conjunta para os países do bloco, visando facilitar a troca de veículos e fortalecer o setor.
Quanto ao açúcar, Canabrava explicou que o foco será na integração das cadeias produtivas, englobando, por exemplo, produtos como massas e biscoitos. A intenção é estabelecer critérios e parâmetros que assegurem a proteção dos produtores locais, evitando impactos adversos. Ele reconhece a sensibilidade dos parceiros do Mercosul em relação a esses setores e destaca que o esforço não visa desamparar os agricultores locais.
A cúpula do Mercosul, que ocorrerá nos dias 2 e 3 na Argentina, contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é que ele chegue à noite da próxima quarta-feira e retorne ao Brasil na quinta-feira após as discussões com outros líderes do bloco. Durante esse período, Lula receberá o mandato do argentino Javier Milei, já que a presidência pro tempore do Mercosul, que dura seis meses, está atualmente com a Argentina.
Essa movimentação do Brasil em relação ao Mercosul inclui automóveis e açúcar é vista como uma oportunidade para fortalecer a cooperação econômica e ampliar a integração regional. A implementação desse plano, porém, ainda depende de negociações detalhadas e da aceitação das propostas pelos demais países-membros do Mercosul. É um passo que, se bem sucedido, poderá modificar o cenário do comércio na região, beneficiando não apenas as indústrias, mas também os consumidores.
Via Exame