No início dos anos 2000, a cultura do entretenimento no Brasil era marcada pela simplicidade de ligar a televisão e relaxar no sofá. Nesse cenário cotidiano, surgiu um anúncio que capturou a atenção massiva: um vendedor carismático proclamava o lançamento de um produto que prometia revolucionar a forma como as pessoas registravam momentos: a TekPix. Com o bordão “Vamos falar de coisa boa, vamos falar de TekPix!”, a câmera multifuncional se tornou um símbolo de uma era. Este dispositivo “9 em 1” prometia substituir câmeras, filmadoras e MP3 players, gerando uma expectativa imensa entre os consumidores.
O sucesso da TekPix deve-se em grande parte a uma estratégia agressiva de marketing. Lançada pela Tecnomania, a câmera se popularizou em programas de TV e tornou-se uma referência nas casas brasileiras, especialmente nas regiões interioranas. O modelo de vendas, que incluía condições de pagamento facilitadas e call centers, fez com que a TekPix rapidamente conquistasse a confiança de muitos. A combinação entre a percepção de qualidade e um preço acessível tornou a câmera um verdadeiro fenômeno comercial, com a empresa chegando a faturar até 1 milhão de reais por dia.
Os preços para os consumidores variavam de R$ 958 a R$ 3.516, enquanto o custo de produção era estimado em apenas R$ 300 por unidade. Com aproximadamente 1.300 unidades vendidas por dia, o potencial de lucro era extraordinário. Porém, apesar do marketing eficaz, a qualidade inferior do produto começou a ser questionada. Críticas à câmera começaram a surgir em 2013, quando a concorrência com smartphones, que ofereciam câmeras de alta qualidade e uma gama de funcionalidades, se intensificou.
À medida que os smartphones se tornavam mais acessíveis e integrados, a TekPix foi gradualmente perdendo espaço no mercado. A falta de inovação realmente impactou o seu desempenho. Assim como muitos produtos que ganham notoriedade rapidamente, a TekPix se viu em um declínio vertiginoso. A marca, que inicialmente foi um símbolo de modernidade e versatilidade, acabou se tornando um caso emblemático de como a falta de adaptação pode resultar no colapso de um produto.
Embora as vendas da TekPix tenham terminado em 2013, a História da TekPix persiste na memória coletiva dos brasileiros. O personagem do vendedor e seu bordão permanecem como lembranças nostálgicas de um tempo em que as promessas de tecnologia pareciam capazes de conquistar o mercado. O legado da TekPix é um lembrete de que, mesmo com uma estratégia de marketing poderosa, a qualidade e a inovação são essenciais para a longevidade de um produto.
Via Exame