IA no Agro: Desafios e Oportunidades para os CEOs

Entenda como a inteligência artificial pode transformar o agro e quais questões os CEOs precisam considerar para o futuro.
26/06/2025 às 09:32 | Atualizado há 2 meses
IA no Agro
A revolução silenciosa na produção de alimentos exige ação imediata dos líderes. (Imagem/Reprodução: Forbes)

A **IA no Agro** tem gerado debates acalorados entre executivos dos setores alimentício e do agronegócio, levantando questões sobre seu potencial transformador e seus possíveis riscos. Para evitar análises superficiais e projeções exageradas, especialistas têm se dedicado a examinar as mudanças concretas que a inteligência artificial pode trazer. Essa tecnologia, comparada a um “trem-bala”, exige uma avaliação cuidadosa para entender seu verdadeiro impacto.

Para investigar a fundo o tema, a AgriTech Capital e a LSC International reuniram 40 especialistas em IA, alimentos e agricultura. Utilizando a técnica de pesquisa Delphi, esses profissionais foram divididos em dois grupos: especialistas em IA com interesse no setor agroalimentar e líderes do setor de alimentos e agronegócio com interesse em aplicações de IA.

As entrevistas foram estruturadas em torno de cinco perguntas principais, buscando insights sobre os fatores que impulsionam a inovação e a urgência no setor. As questões abordaram como a IA pode transformar os negócios de alimentos e agronegócio, quais cargos seriam mais impactados, que conselhos dariam a CEOs para se prepararem, quais preocupações existem sobre o uso da IA e que ações os CEOs deveriam tomar nos próximos seis meses.

A análise revelou um otimismo geral em relação ao potencial da IA para resolver desafios no sistema alimentar, como melhorar a acessibilidade, reduzir o desperdício, otimizar a aplicação de nutrientes e aumentar a resiliência climática. No entanto, também surgiu um ceticismo quanto ao exagero propagado por consultorias que monetizam algoritmos sofisticados, mas que ainda não cumprem suas promessas. A necessidade de liderança se destacou como um ponto crucial, com todos os participantes concordando que os executivos precisam responder às mudanças com urgência.

Os profissionais do setor adotaram uma visão pragmática, encarando a IA como uma ferramenta para aprimorar a coleta e análise de dados. Sensores, dispositivos IoT, robótica e câmeras permitirão que produtores rurais e a agroindústria tomem decisões mais precisas em tempo real, especialmente diante da crescente escassez de mão de obra. Em contraste, especialistas em IA vislumbraram mudanças sistêmicas, como a modelagem financeira preditiva, que pode levar a colheitas mais previsíveis, menor volatilidade de mercado e melhor gestão de questões climáticas, facilitando o acesso dos produtores a melhores condições de crédito.

A pesquisa também comparou percepções humanas com as de um painel virtual de especialistas criado com o ChatGPT. Apesar de não ser perfeito, o painel replicou com precisão a sabedoria coletiva dos especialistas humanos. Além disso, não foram encontradas evidências de “alucinações” nas respostas geradas pela IA.

Os especialistas humanos enfatizaram a importância do contexto, destacando as complexidades do campo agrícola, como poeira, umidade e pragas, que podem comprometer até os conjuntos de dados mais precisos. O contexto humano também é crucial para a comunicação, onde interações pessoais e o uso do humor podem promover mudanças de forma mais eficaz do que fatos isolados.

A IA apresenta riscos reais, especialmente em relação à segurança de dados. É fundamental proteger dados proprietários contra invasões e garantir que informações confidenciais não sejam usadas para vender produtos de volta aos proprietários ou para concorrentes. Os líderes precisam investir de forma eficaz para se manterem relevantes.

Para CEOs dos setores de alimentos e agronegócio, é crucial priorizar a integridade dos dados antes de implementar IA. Começar com projetos-piloto de tamanho gerenciável e focar em desafios internos específicos também é essencial. A IA não é apenas um problema de TI, mas de liderança, exigindo que os executivos desenvolvam letramento em IA. Valorizar o conhecimento interno em vez de depender excessivamente de consultores externos também é fundamental. A mensagem unânime é que não dá para esperar, pois o ritmo das mudanças é acelerado e os primeiros a se adaptarem definirão o cenário competitivo.

Diante da complexidade do setor agrícola e alimentício, a IA representa um desafio significativo. A sabedoria coletiva dos especialistas oferece insights práticos sobre como enfrentar esse desafio e construir um futuro mais forte e sustentável para a produção de alimentos e agricultura.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.