Por que idealizamos o passado ao lembrar das nossas histórias?

Descubra por que nossa memória tende a idealizar o passado e como isso influencia nossas emoções hoje.
09/02/2026 às 13:21 | Atualizado há 6 horas
               
A descrição destaca como a memória idealiza o passado para suavizar a realidade atual. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

Muitas pessoas acreditam que o passado foi melhor do que o presente, mas essa sensação está relacionada ao modo como nossa memória funciona.

A memória reconstrói as lembranças e tende a valorizar os momentos positivos, apagando ou suavizando as experiências negativas, o que gera uma percepção idealizada do que vivemos.

Essa idealização ajuda a manter o equilíbrio emocional, principalmente em fases de mudanças, mostrando que a nostalgia é uma forma de adaptação e conforto emocional.

Nas redes sociais, imagens comparativas entre 2016 e 2026 têm gerado reflexões sobre o passado. Muitas pessoas dizem que “antes tudo era melhor”, atribuindo a 2016 a condição de último ano bom. Mas será que essa percepção é verdadeira ou resultado do funcionamento da memória?

A memória humana não grava o passado como um arquivo fixo, mas o reconstrói a cada lembrança, influenciada pelo contexto e pelas emoções atuais. Por isso, recordações mudam com o tempo e nem sempre refletem fielmente o que aconteceu.

Além disso, nosso cérebro tende a manter vivas as memórias positivas e tornar as negativas menos acessíveis, um mecanismo que serve como proteção emocional. Esse fenômeno, chamado viés de positividade, faz o passado parecer melhor do que foi, especialmente à medida que envelhecemos.

Com a chegada da aposentadoria, essa visão idealizada do passado se intensifica. As lembranças passam a ajudar a manter o equilíbrio emocional diante das mudanças e incertezas da vida atual. A nostalgia, longe de ser fraqueza, é uma forma de adaptação, que fortalece a identidade e traz conforto.

Assim, quando afirmamos que antes tudo era melhor, provavelmente não estamos julgando o passado em si, mas convivendo com uma memória que seleciona e suaviza as experiências vividas para tornar o presente mais suportável.

Via The Conversation

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.