No último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), a decisão unânime foi manter a Taxa Selic em 15% ao ano. Contudo, as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos capturaram a atenção do mercado. Felipe Miranda, da Empiricus Research, analisou os desdobramentos no Giro do Mercado Especial do Copom, oferecendo perspectivas valiosas sobre o futuro econômico.
As notícias sobre as relações comerciais Brasil-EUA ganharam destaque durante a “Super Quarta”. Donald Trump assinou um decreto com tarifas de 50% sobre importações brasileiras, mas amenizou ao isentar vários produtos e adiou a implementação por sete dias, dando tempo para negociações.
Para Miranda, a situação apresentou melhoras em relação às expectativas iniciais, com a lista de isenções sendo extensa e um prazo para negociação. O mercado reagiu positivamente, com o Ibovespa revertendo perdas e fechando em alta de 0,95% no dia do anúncio.
Miranda observa que diversas ações sofreram impactos severos com as tarifas, gerando oportunidades no mercado. Ele destaca empresas como BTG Pactual [BPAC11], Equatorial [EQTL3], Itaú [ITUB4] e Suzano [SUZB3], que foram penalizadas além do esperado.
Miranda também destaca que a atual Taxa Selic em 15% ao ano deve ser aproveitada pelos investidores, pois oferece um acúmulo de capital interessante ao longo do tempo. O Copom, diante da incerteza tarifária, sinaliza cautela para as próximas reuniões.
Apesar disso, as perspectivas sobre a inflação, tanto nos EUA quanto no Brasil, têm apresentado melhoras. Isso pode influenciar o Federal Reserve (Fed) a optar por um corte de juros em breve, criando espaço para que o Brasil siga o mesmo caminho, mediante a superação de desafios internos.
Para Miranda, uma das condições para o Banco Central reduzir os juros é um corte prévio pelo Fed, juntamente com a convergência das expectativas de inflação, desaceleração da atividade econômica e um câmbio estável. Ele acredita que, apesar das indicações de manutenção da Taxa Selic em 15%, um corte de juros ainda pode ocorrer no final deste ano, dependendo da evolução dos dados econômicos.
Via Money Times