A influência da geopolítica tem crescido no ambiente das startups e nos investimentos, exigindo análises que vão além do mercado e tecnologia. Mudanças recentes mostram que tensões comerciais, origem do capital e regulação estão entre os principais fatores que impactam decisões empresariais.
Especialistas apontam que a geopolítica está no centro das decisões econômicas, elevando riscos e oportunidades em um mundo mais instável. A restrição de capital e tensões globais, especialmente relacionadas à China, dificultam financiamentos e afetam o acesso a recursos estratégicos.
Startups precisam adaptar seus planos ao contexto político e econômico global, acompanhando indicadores geopolíticos para lidar com um mercado menos previsível, mas ainda inovador.

O crescimento de startups globais hoje envolve análises profundas que vão além de mercado, capital e tecnologia. A recente mudança no ecossistema exige considerar a influência da geopolítica nas decisões empresariais, especialmente em investimentos e estratégias. Tensions comerciais e regulatórias, bem como a origem do capital e dados, são agora fatores cruciais para o desenvolvimento dessas empresas.
De acordo com Márcio Sette Fortes, economista e professor do Ibmec-RJ, a geopolítica deixou de ser secundária para estar no centro das decisões econômicas e empresariais, afetando riscos e oportunidades diante de um mundo mais instável e imprevisível. Além disso, dados do Fórum Econômico Mundial indicam que o confronto geoeconômico é o principal risco global para 2026.
Marcelo Nakagawa, do Insper, destaca que a restrição no fluxo de capital, agravada pela pandemia e alta das taxas de juros, intensificou a dificuldade de financiamento para startups. Paralelamente, aumentaram as tensões geopolíticas, particularmente em relação à China, que influenciam o acesso a recursos essenciais como minerais críticos e infraestrutura de semicondutores.
Investidores também percebem que o mercado dos Estados Unidos mantém sua centralidade, principalmente em setores como inteligência artificial, que demandam altos investimentos em data centers e chips. O capital, antes mais disperso, concentrou-se em solo norte-americano, enquanto investimentos na China diminuíram pela percepção de aumento de riscos institucionais.
Assim, startups precisam alinhar seus planos não só ao negócio, mas também ao contexto geopolítico, acompanhando indicadores políticos e econômicos para navegar num ambiente global que permanece inovador, porém menos previsível.
Via Startups