A instabilidade econômica global tem deixado investidores apreensivos, especialmente após a inesperada redução de juros na Noruega. Fatores como as tarifas de importação dos Estados Unidos, os conflitos no Oriente Médio e a flutuação do dólar intensificam a incerteza sobre a política monetária e a inflação, tornando as previsões ainda mais complexas.
A desvalorização da coroa norueguesa em relação ao dólar e ao euro evidenciou a surpresa do mercado com a decisão. A Suíça, ao reduzir suas taxas de juros para 0%, também contrastou com as expectativas de investidores, que não vislumbravam um retorno a taxas negativas em um país já afetado pela deflação.
Paralelamente, o Federal Reserve (Fed) optou por manter as taxas de juros nos EUA, e seu presidente, Jerome Powell, admitiu a falta de consenso sobre a direção futura das taxas. Essa postura adiciona mais um desafio em um cenário global já complicado por riscos geopolíticos e comerciais.
O distanciamento das bolsas de valores globais de seus picos recentes, o aumento da volatilidade nas ações europeias e a venda de títulos governamentais considerados seguros demonstram a crescente cautela no mercado. Mark Dowding, da RBC Global Asset Management, ressalta a dificuldade em prever as tendências das taxas de juros, evitando apostas ativas nos portfólios de investimento.
Investidores apontam que a volatilidade tende a aumentar, com o dólar instável e os preços do petróleo influenciados pela geopolítica, limitando a capacidade dos bancos centrais de oferecerem um panorama claro. Davide Oneglia, da T.S. Lombard, destaca que não é mais possível confiar nas orientações dos bancos centrais, que enfrentam dificuldades para interpretar o cenário econômico atual.
Os bancos centrais europeus, ao reduzirem os juros, divergem do Fed, que lida com os riscos inflacionários resultantes das tarifas de importação implementadas pelo governo dos Estados Unidos. Essa divergência ocorre em um contexto onde o dólar, as commodities e os ativos se tornam mais voláteis devido às tensões comerciais e preocupações com a dívida pública.
Nick Rees, da Monex Europe, enfatiza que as regras econômicas tradicionais estão falhando na previsão dos mercados. A queda do dólar em relação a outras moedas importantes, seguida por uma alta após o conflito entre Israel e Irã, ilustra essa volatilidade. François Villeroy de Galhau, do Banco Central Europeu, alertou que a instituição pode ajustar seus planos de corte de taxas caso a instabilidade nos preços do petróleo persista.
Analistas sugerem que o cenário atual pode trazer surpresas para os bancos centrais, com mudanças rápidas nas narrativas do mercado, nos preços dos ativos e nas tendências de volatilidade. Oneglia ressalta que eventos e fatores políticos, como a atuação de figuras como Donald Trump, ganham destaque.
O corte inesperado de juros na Noruega, segundo Kit Juckes, da Société Générale, reflete o impacto da guerra comercial sobre a coroa norueguesa. Paralelamente, a busca por alternativas ao dólar impulsionou o franco suíço, diminuindo os custos das importações e levando a Suíça à deflação.
John Stopford, da Ninety One, alerta para o aumento do risco nas bolsas de valores globais e considera que os produtos de proteção contra volatilidade futura estão com preços acessíveis. Ele demonstra interesse em títulos de países com potencial de queda na inflação e nos juros, como a Nova Zelândia, mas mostra-se cauteloso com os Treasuries dos EUA e os Bunds alemães devido à incerteza econômica.
Apesar do índice de bolsas de valores globais estar quase 20% acima de seu ponto mais baixo em abril, Stopford adverte que há motivos para preocupação no curto prazo. Ele compara o mercado de ações a uma “casa de palha em um país quente, com risco de incêndio”, onde o seguro não está sendo cobrado adequadamente.
Via Money Times