Impactos do aquecimento global na Amazônia: o que a ciência revela

21/01/2026 às 10:46 | Atualizado há 4 horas
               
O estudo dos sedimentos revela como mudanças passadas podem indicar futuros impactos no bioma amazônico. Sedimentos do lago mostram sinais do futuro da Amazônia frente às mudanças ambientais. (Imagem/Reprodução: Redir)

Há milhões de anos, a Amazônia era uma vasta região alagada, conhecida como Lago Pebas, influenciada por um clima global mais quente e um nível do mar elevado. Sedimentos desse período preservam registros importantes sobre as mudanças climáticas e ajudam a entender a resposta da floresta às variações do clima no passado.

Estudos indicam que ciclos orbitais da Terra controlavam o clima da região, afetando as estações secas e chuvosas. A composição atmosférica com níveis passados de dióxido de carbono semelhantes aos previstos para o futuro torna esses dados essenciais para prever os efeitos do aquecimento global na biodiversidade e no armazenamento de carbono da Amazônia.

Entre 24 e 7 milhões de anos atrás, a Amazônia não era a floresta úmida que conhecemos, mas sim uma extensa região coberta por áreas alagadas, o chamado Lago Pebas. Esse cenário fazia parte do Mioceno, quando o clima global estava mais quente e o nível do mar mais alto, enquanto a cordilheira dos Andes ainda se elevava.

Os sedimentos depositados nesse lago, formados por lama e areia, preservam registros importantes do clima daquela época. A deposição ocorria lentamente, em águas calmas e com baixo fluxo, o que favoreceu a conservação das mudanças climáticas ao longo dos milhões de anos. Esses dados fornecem um panorama valioso para entender como a região respondeu às variações do clima passado e podem ajudar a prever o futuro da floresta.

Pesquisadores liderados por Karlos G. D. Kochhann identificaram que o clima da Amazônia naquela época era influenciado por ciclos orbitais da Terra. Mudanças na forma da órbita e no movimento do eixo axial da Terra controlavam a quantidade de radiação solar, alterando as estações secas e chuvosas. Após o resfriamento global, há cerca de 14 milhões de anos, as flutuações climáticas passaram a depender mais da precessão do eixo terrestre, padrão próximo ao atual.

Naquele período, as concentrações de dióxido de carbono atmosférico eram semelhantes às previstas para o século que vem. Isso torna esses sedimentos uma fonte relevante para entender os efeitos que o aquecimento global pode ter na biodiversidade e na capacidade de armazenamento de carbono da Amazônia.

Via Folha de S.Paulo

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