A Conferência de Segurança de Munique 2026, realizada em fevereiro, destacou o fim da ordem internacional tradicional e seus efeitos diretos para a América Latina e o Brasil.
O evento criticou a política dos EUA na região, destacando mudanças nas alianças e o aumento de operações unilaterais, o que desafia a cooperação multilateral que o Brasil historicamente busca.
Diante desse cenário, Brasil e seus vizinhos precisam reforçar suas defesas e atuar com mais firmeza no cenário internacional, evitando escaladas militares e preservando princípios de não intervenção e respeito aos direitos humanos.
A Conferência de Segurança de Munique 2026, realizada entre 13 e 15 de fevereiro, marcou o que os organizadores chamaram de um velório para o mundo conhecido. Sob o lema “Under Destruction”, o evento apontou o fim do velho ordenamento internacional baseado em regras, instituições multilaterais e cooperação entre democracias. Essa mudança ressignifica o cenário de segurança para o Brasil e a América Latina.
O relatório oficial acusa os Estados Unidos de liderar uma “política da demolição”, ao questionar os pilares da paz internacional, como confiança em instituições, abertura econômica e vínculo entre democracia e segurança. Washington, segundo a conferência, vem reinterpretando alianças tradicionais, decidindo unilateralmente seus compromissos, e usando operações unilaterais na América Latina, como na Venezuela.
A Europa reage propondo uma “refundação” da OTAN e maior autonomia militar, inclusive com debates sobre a extensão do guarda-chuva nuclear francês. A prioridade dos EUA pelo Indo-Pacífico e a visão da América Latina como sua “esfera de influência” reforçam uma política que trata a região como fonte de ameaças e oportunidades.
Esse contexto afeta temas essenciais para o Brasil, como a Amazônia, clima, migração e crime organizado, que tendem a ser tratados mais pela via da pressão e securitização do que pela negociação multilateral, um desafio para o país que sempre buscou diplomacia e normas.
Com a centralidade do “Sul Global” nas disputas globais, Brasil e vizinhos precisam fortalecer suas capacidades de defesa e negociar de forma mais assertiva, evitando cair em corridas armamentistas, e mantendo princípios de não intervenção e respeito aos direitos humanos, mesmo diante de pressões externas.
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