Inflação nos EUA: Perspectivas desafiadoras e cortes de juros

Entenda o cenário da inflação nos EUA e como isso pode impactar os cortes de juros.
29/08/2025 às 16:23 | Atualizado há 3 horas
Inflação dos Estados Unidos
Inflação dos EUA de julho atendeu expectativas, mas com sinais mistos na composição. (Imagem/Reprodução: Moneytimes)

A inflação nos Estados Unidos em julho alinhou-se com as expectativas do mercado, mas revela um panorama ambíguo. O índice de preços PCE aumentou 0,2% no mês, totalizando 2,6% em 12 meses, com sinais mistos que preocupam especialistas.

A economista Marcela Kawauti destaca os aspectos positivos, como a desaceleração dos bens não duráveis e a redução nos preços de alimentos e energia. No entanto, o núcleo da inflação, que exclui itens voláteis, apresentou leve alta, indicando pressões persistentes na economia.

As projeções de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve ganham força, mas Gustavo Cruz alerta para a complexidade do cenário econômico atual. Apesar de esperanças de flexibilização monetária, a inflação ainda se mostra elevada, exigindo cautela nas decisões do banco central.
A inflação dos Estados Unidos em julho apresentou números alinhados com as projeções do mercado, porém, a análise detalhada dos componentes do índice revelou perspectivas ambíguas, conforme avaliação de especialistas. O índice de preços PCE registrou um aumento de 0,2% no mês, atingindo 2,6% no acumulado de 12 meses.

Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, ressalta os sinais positivos, como a desaceleração nos bens não duráveis, que passaram de 0,5% para 0,2% em 12 meses. Houve também recuo nos preços de alimentos e energia, com variações de 2,2% para 1,9% e de -1,6% para -2,7%, respectivamente.

Em contrapartida, os custos de bens duráveis apresentaram um crescimento, passando de 0,9% para 1,1%. O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis, também teve um leve aumento, de 2,8% para 2,9%.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destaca que o aumento no núcleo inflacionário indica que a recente desinflação tem sido impulsionada principalmente por itens relacionados à energia, um cenário já observado no CPI. Além disso, os serviços continuam exercendo pressão sobre a inflação, refletindo-se nos padrões de consumo.

Os dados divulgados se mostraram consistentes com o CPI de julho, que também apontou pressão no núcleo, especialmente em serviços como habitação e saúde. A redução nos preços do petróleo ao longo do ano tem contribuído para aliviar a inflação.

A economista Marcela Kawauti, da Lifetime, avalia que o cenário atual é complexo para o Federal Reserve (Fed). A instituição precisa considerar os efeitos negativos das políticas protecionistas dos Estados Unidos e o aumento das tarifas sobre produtos importados, fatores que podem elevar os preços e desacelerar a economia.

As últimas manifestações do banco central americano indicam uma priorização do estímulo à economia, o que leva analistas a preverem uma retomada do ciclo de cortes de juros já em setembro. O discurso de Jerome Powell no Simpósio de Jackson Hole reforçou a expectativa de que a flexibilização monetária nos EUA está cada vez mais próxima.

Após a divulgação do PCE, o mercado aumentou para 87,2% a probabilidade de que o Fed reduza a taxa de juros em 0,25 ponto percentual em setembro, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

Gustavo Cruz, da RB Investimentos, pondera que o nível atual da inflação dos Estados Unidos ainda é elevado para justificar uma flexibilização imediata da política monetária. Ele acrescenta que a trajetória recente aponta mais para uma pressão de alta do que de queda, o que torna qualquer decisão de corte pelo banco central uma medida delicada e potencialmente surpreendente.

Considerando as dinâmicas atuais do mercado e as projeções de especialistas, o cenário econômico dos Estados Unidos permanece sob análise atenta. As decisões do Federal Reserve, em particular, serão cruciais para definir os rumos da inflação e o desempenho econômico do país nos próximos meses.

Via Money Times

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.