Intel reconsidera abordagem para a produção de chips

A Intel está avaliando novas estratégias para a fabricação de chips, visando maior eficiência no setor de tecnologia.
02/07/2025 às 11:33 | Atualizado há 2 meses
Negócio de fundição da Intel
Intel perde terreno em tecnologia móvel e inteligência artificial nas últimas duas décadas. (Imagem/Reprodução: Investnews)

Lip-Bu Tan, o novo presidente-executivo da Intel, está reavaliando a estratégia de fabricação da empresa, buscando atrair grandes clientes. Essa mudança representa uma alteração significativa em relação aos planos de seu antecessor e pode envolver custos consideráveis. A nova abordagem para o negócio de fundição da Intel pode impactar a comercialização de chips desenvolvidos para clientes externos.

Desde que assumiu a liderança em março, Tan tem se concentrado em reduzir custos e revitalizar a fabricante de chips americana. Em junho, ele começou a questionar a atratividade do processo de fabricação 18A, uma aposta do ex-CEO Pat Gelsinger, para novos clientes. A possível descontinuação das vendas externas do 18A e sua variante 18A-P, que consumiram bilhões em desenvolvimento, exigiria uma baixa contábil.

Analistas estimam que essa baixa contábil poderia resultar em uma perda de centenas de milhões, ou até bilhões de dólares. A Intel, por sua vez, não comentou sobre essas especulações. A empresa reafirmou que o principal cliente do 18A é a própria Intel e que planeja aumentar a produção de seus chips para laptop “Panther Lake” até o final de 2025, considerados os processadores mais avançados projetados e fabricados nos Estados Unidos.

A capacidade de atrair clientes externos para as fábricas da Intel continua sendo crucial para o futuro da empresa. Enquanto o processo de fabricação 18A enfrenta atrasos, a tecnologia N2 da concorrente TSMC está avançando em direção à produção. A resposta inicial de Tan a esse desafio é direcionar mais recursos para o 14A, um processo de fabricação de chips de última geração que a Intel espera que supere a TSMC.

Essa mudança faz parte de uma estratégia para atrair grandes clientes, como Apple e Nvidia, que atualmente utilizam os serviços de fabricação da TSMC. Tan incumbiu a empresa de preparar alternativas para discussão com o conselho da Intel, incluindo a possibilidade de interromper a comercialização do 18A para novos clientes. Devido à complexidade do assunto e aos altos valores envolvidos, o conselho pode adiar a decisão sobre o 18A para uma reunião futura.

A Intel se absteve de comentar sobre o que classificou como “rumor”. Em uma declaração, a empresa declarou: “Lip-Bu e a equipe executiva estão comprometidos em fortalecer nosso plano, construir confiança com nossos clientes e melhorar nossa posição financeira para o futuro. Identificamos áreas claras de foco e tomaremos as medidas necessárias para recuperar os negócios”.

Em 2024, a Intel registrou seu primeiro ano não lucrativo desde 1986, com um prejuízo líquido de US$ 18,8 bilhões. As decisões do CEO da Intel refletem os riscos e custos significativos envolvidos na tentativa de restabelecer a posição da renomada fabricante de chips americana. Assim como Gelsinger, Tan herdou uma empresa que perdeu sua vantagem na fabricação e ficou para trás em áreas tecnológicas importantes, como computação móvel e inteligência artificial.

A Intel busca iniciar a produção em larga escala do 18A ainda este ano, priorizando seus chips internos antes dos pedidos de clientes externos. No entanto, não há garantia de que o 14A será entregue a tempo de garantir contratos importantes, e a Intel pode optar por manter seus planos atuais para o 18A. A Intel está ajustando o 14A para atender às necessidades dos principais clientes, visando seu sucesso.

O foco renovado no processo 14A pode ser uma estratégia crucial para a Intel reconquistar sua posição no mercado de fabricação de chips, atraindo grandes clientes e garantindo seu futuro.

Via InvestNews

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.