Investimentos estrangeiros diretos no Brasil crescem 67%, alcançando US$ 37 bilhões

Investimentos estrangeiros diretos no Brasil aumentam 67%, atingindo US$ 37 bilhões até 2025.
08/11/2025 às 06:21 | Atualizado há 5 meses
               
Investimentos estrangeiros diretos no Brasil
Pesquisa McKinsey destaca impacto da geopolítica nos fluxos globais atuais. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

O Brasil registrou um crescimento significativo nos investimentos estrangeiros diretos (IDE), que subiram 67% entre 2022 e maio de 2025 em comparação ao período de 2015 a 2019. O valor total dos investimentos em novos projetos produtivos chegou a US$ 37 bilhões, demonstrando a atratividade do país para investidores globais.

Esse aumento ocorre mesmo com desafios políticos e tarifários, destacando a neutralidade geopolítica do Brasil como um fator importante para atrair recursos de diferentes regiões, como Ásia, Oriente Médio e Europa. O setor de energia lidera os investimentos, impulsionado por projetos bilionários em hidrogênio verde e petróleo.

Apesar do crescimento, o Brasil enfrenta limitações devido a taxas de juros elevadas e custos de capital, que dificultam avanços na indústria e manufatura avançada. A modernização e a adoção de tecnologias são apontadas como essenciais para ampliar a competitividade e continuar atraindo investimentos no futuro.

O Brasil tem se destacado no cenário global com um aumento expressivo nos investimentos estrangeiros diretos no Brasil. De 2022 a maio de 2025, o IDE em novos projetos produtivos no país cresceu 67% em comparação com o período de 2015 a 2019. Esse crescimento supera a média global, que registrou um aumento de 24%.

Este aumento ocorre mesmo em um contexto de fragmentação política e aumento das barreiras tarifárias. Enquanto as economias desenvolvidas priorizaram investimentos entre si, especialmente nos Estados Unidos, os fluxos para a China diminuíram. Paralelamente, a China consolidou-se como investidora, ampliando seus investimentos na Europa, América Latina e Oriente Médio.

Os países emergentes, incluindo o Brasil, atraíram promessas de investimentos de diversos espectros geopolíticos. As multinacionais de economias emergentes mantiveram uma constância no alcance geopolítico de seus anúncios. No Brasil, Singapura e Emirados Árabes Unidos, aproximadamente 65% das empresas mantiveram a distância geopolítica dos anúncios de IDE, contrastando com 35% nos EUA, Japão, Coreia do Sul e China.

Segundo Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey, o Brasil se beneficia de sua neutralidade geopolítica. Essa característica atrai a diversificação na origem dos investimentos, com fluxos da Ásia e do Oriente Médio, além dos parceiros europeus tradicionais. Ferreira também aponta o potencial de empresas brasileiras expandirem sua produção para mercados em crescimento, como Índia, América Central e Sudeste asiático.

Entre 2022 e maio de 2025, o IDE anual destinado ao Brasil atingiu US$ 37 bilhões. A Europa contribuiu com cerca de 50% desse montante, seguida pelos Estados Unidos, com aproximadamente 15%. Em contrapartida, os fluxos anuais de IDE anunciados por empresas brasileiras diminuíram 19%, passando de US$ 2,9 bilhões (2015-2019) para US$ 3,2 bilhões (2022-maio de 2025).

Os dados da consultoria McKinsey consideram apenas os investimentos greenfield, ou seja, novos projetos produtivos com formação bruta de capital, excluindo fusões, aquisições e reinvestimentos de lucros. Observa-se um padrão global de meganegócios, onde investimentos superiores a US$ 1 bilhão representam apenas 1% dos negócios, mas correspondem a metade do valor total.

O setor de energia lidera a atração de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, com 46% do IDE anunciado desde 2022. Esse crescimento é impulsionado por contratos acima de US$ 1 bilhão, como projetos de usinas de hidrogênio verde no Ceará e projetos de petróleo e gás na Bacia de Campos. A combinação de recursos naturais e estabilidade institucional torna o Brasil um destino prioritário para projetos em agricultura, energia e commodities.

Para Ferreira, a estabilidade macroeconômica e um novo ciclo de investimento industrial são cruciais para impulsionar ainda mais a atração de investimentos. Atualmente, as altas taxas de juros e o custo de capital limitam projetos em manufatura avançada, resultando em uma deterioração da competitividade industrial. A modernização e a adoção de tecnologias como digitalização, automação e inteligência artificial são essenciais para o país ganhar competitividade em setores estratégicos.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.