O Irã enfrenta o seu maior apagão de internet desde 8 de janeiro, com o governo bloqueando provedores locais e protocolos internacionais, isolando o país da rede global. O acesso a sites nacionais e estrangeiros está inacessível para os iranianos.
Tentativas de usar internet via satélite foram barradas, com o governo interferindo nos sinais e reprimindo o uso de VPNs. Como alternativa, aplicativos que operam sem internet, como o Bitchat, têm sido adotados para manter a comunicação.
Essas medidas mostram como bloqueios digitais afetam serviços essenciais e aumentam a busca por tecnologias alternativas, destacando a resistência à censura e a busca por liberdade de comunicação.
O Irã está enfrentando seu apagão de internet mais longo, que já dura quase três semanas. Desde 8 de janeiro, o governo iraniano ordenou a paralisação dos provedores locais e o bloqueio dos protocolos internacionais, isolando o país da internet global. O acesso a sites iranianos e estrangeiros tornou-se impossível para a população local.
Tentativas de manter a conexão com o serviço Starlink, de internet via satélite, também foram barradas após apenas três dias de funcionamento. O governo passou a usar equipamentos que interferem no sinal, apreendeu aparelhos e prendeu usuários, complicando o uso de VPNs e outras formas de driblar o bloqueio.
Derrubar a internet em um país representa um ato extremo, comprometendo acesso a serviços essenciais como comunicação, pagamentos, notícias e compras online. O bloqueio iraniano supera o famoso apagão do Egito durante a Primavera Árabe, que durou apenas cinco dias.
Em meio a essa situação, surge o uso de aplicativos que não dependem da internet, como o Bitchat, criado pelo fundador do Twitter, Jack Dorsey. O app usa a tecnologia bluetooth para formar redes locais entre celulares próximos, permitindo comunicação segura e privada mesmo sem conexão tradicional.
O Bitchat é um aplicativo de código aberto, com mensagens criptografadas e funcionalidades que protegem os usuários, como um comando de exclusão rápida de mensagens. No Irã, uma versão adaptada chamada Noghteha tem ganhado espaço, possibilitando a criação de redes alternativas em áreas densamente povoadas.
Esse episódio demonstra que, embora a infraestrutura tradicional da internet esteja suscetível a bloqueios governamentais, tecnologias paralelas estão evoluindo para garantir a continuidade da comunicação em cenários de censura digital.
Via Folha de S.Paulo