O governo de Israel retomou o processo de registro de terras na Cisjordânia, suspenso desde 1967. A medida obriga proprietários a apresentar documentos que comprovem a posse, ampliando o controle israelense na região.
Essa retomada ocorre após aumento da construção de assentamentos e mudanças que fortalecem o domínio israelense, gerando críticas da Autoridade Palestina. O presidente Mahmoud Abbas classificou a ação como uma violação do direito internacional e pediu intervenção da comunidade internacional.
Organizações israelenses criticam a medida como pouco transparente e preocupam-se com possível “mega apropriação” das terras palestinas, complicando ainda mais o cenário de conflito na região.
O governo de Israel anunciou a retomada de um processo de regulamentação de terras em grande parte da Cisjordânia ocupada, medida que pode ampliar o controle israelense na região. O procedimento, conhecido como assentamento de título de terra, estava suspenso desde 1967. Com isso, qualquer pessoa que reivindique propriedade em uma área terá que apresentar documentos para provar a posse.
Nos últimos meses, Israel expandiu a construção de assentamentos judaicos e legalizou postos avançados na Cisjordânia, além de implementar mudanças burocráticas que fortalecem seu domínio e enfraquecem a Autoridade Palestina. O Ministério das Relações Exteriores de Israel alegou que a Autoridade Palestina estaria realizando registros ilegais na Área C, justificando o reinício do processo para aumentar a transparência.
Entretanto, o grupo israelense anti-assentamento Peace Now vê a iniciativa como uma possível “mega apropriação de terras” dos palestinos. A Área C representa 60% da Cisjordânia e está sob controle militar israelense. Segundo Hagit Ofran, diretora do programa Settlement Watch do Peace Now, o processo de comprovação da propriedade é pouco transparente, o que pode favorecer o Estado e dificultar a defesa dos palestinos.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, qualificou a decisão como uma “grave escalada” e uma violação do direito internacional, comparando-a a uma “anexação de fato”. Ele pediu que a comunidade internacional, especialmente o Conselho de Segurança da ONU e os Estados Unidos, intervenham urgentemente.
Via Tribuna Online