Itália adia assinatura do acordo Mercosul-UE e decisão final fica para janeiro de 2026

Assinatura do acordo Mercosul-UE é adiada pela Itália, causando atrasos e negociações até janeiro de 2026.
19/12/2025 às 14:28 | Atualizado há 3 meses
               
Adiamento acontece devido a protestos violentos de agricultores na Bélgica e França. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, previsto para ser assinado em breve, foi adiado pela Itália. A decisão final sobre o pacto ficou marcada para janeiro de 2026, após demandas da Itália relacionadas a questões agrícolas.

O adiamento permite que as negociações internas na UE avancem, enquanto o Mercosul, representado pelo presidente Lula, aguarda uma resolução das pendências. O acordo, de mais de 25 anos, pretende reduzir tarifas comerciais e fortalecer a relação econômica entre as regiões.

O chanceler alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, demonstraram otimismo para a assinatura de um acordo Mercosul UE em janeiro de 2026, apesar do atraso causado pela exigência da Itália. A assinatura, prevista para ocorrer neste sábado, foi adiada para tratar de preocupações de membros da União Europeia, com foco nas questões agrícolas levantadas pela Itália.

Von der Leyen confirmou que o adiamento foi acordado com parceiros do Mercosul para permitir mais tempo para negociações internas. O presidente brasileiro Lula da Silva comentou que tomará decisões com os países do Mercosul após o retorno da Itália, que sinaliza apoio condicionado à resolução dessas pendências.

O acordo, em construção há cerca de 25 anos, envolve Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e representa o maior pacto comercial da UE em termos de redução tarifária. Países como Alemanha, Espanha e as nações nórdicas veem o pacto como uma oportunidade para aumentar exportações e diminuir a dependência chinesa por acesso a minerais.

A resistência vem especialmente da França, Itália, Polônia e Hungria, preocupados com o impacto das importações de produtos agrícolas a preços competitivos, como carne bovina e açúcar. A cúpula da UE enfrentou protestos, incluindo confrontos entre agricultores manifestantes e polícia em Bruxelas.

O presidente francês Macron alegou que o acordo é inaceitável na forma atual, destacando a necessidade de garantias para proteger os padrões produtivos da União Europeia e evitar abertura a mercadorias produzidas sob regras menos rigorosas.

Mais algumas semanas de negociações serão essenciais para que o acordo Mercosul UE possa obter o apoio necessário para avançar.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.