JBS: Multa em operação contra gado ilegal na Amazônia

JBS é multada em operação contra gado ilegal na Amazônia. Entenda a ação e seus impactos.
28/08/2025 às 19:41 | Atualizado há 8 horas
Gado ilegal na Amazônia
Frigoríficos, incluindo JBS, compram gado de áreas embargadas na Amazônia. (Imagem/Reprodução: Investnews)

Autoridades brasileiras realizaram uma operação significativa contra o gado ilegal na Amazônia, resultando na apreensão de 7 mil cabeças de gado. A JBS, um dos maiores frigoríficos do Brasil, foi multada em US$ 75 mil por comprar gado de áreas embargadas por desmatamento. Essa iniciativa é parte da operação Carne Fria, que visa combater práticas ilegais na cadeia produtiva da carne.

Além da JBS, outros frigoríficos foram identificados na prática de ‘lavagem de gado’, dificultando a rastreabilidade da carne. A operação deve aumentar a pressão sobre indústrias e importadores para garantir cadeia de suprimentos sustentáveis. Os dados do relatório da Earthsight apontam que a pecuária é um vetor crucial para o desmatamento na Amazônia, algo que demanda mais ações.

O atual cenário de regulamentação e fiscalização representa um grande desafio para o setor. Com as recentes informações, há uma crescente pressão sobre frigoríficos para melhorar as práticas e garantir a legalidade em suas operações. O papel do governo e de organizações não governamentais é vital para a proteção ambiental e o combate das ilegalidades na Amazônia.
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Em uma ação contundente contra a gado ilegal na Amazônia, autoridades ambientais brasileiras realizaram uma grande operação que resultou na apreensão de cerca de 7 mil cabeças de gado. A operação também aplicou multas significativas a diversos pecuaristas e frigoríficos, incluindo a JBS, uma das maiores fornecedoras de carne do mundo.

Essa ação ocorreu em paralelo com a divulgação de uma análise independente que aponta para o financiamento da destruição da floresta amazônica através do consumo de hambúrgueres nos Estados Unidos. O estudo revelou que quase um quarto das exportações de carne bovina do Brasil para os EUA provém de frigoríficos situados em áreas críticas de desmatamento ilegal, conforme informações da Earthsight, uma ONG britânica focada na investigação da ligação entre crimes ambientais e consumo global.

A pecuária continua sendo um dos principais vetores do desmatamento na Amazônia, impulsionada também pela abertura de estradas. Entre 1985 e 2023, uma área considerável da floresta foi convertida em pastagens. A proteção da Amazônia é um ponto fundamental nas negociações climáticas globais, e as recentes ações do governo e os relatórios divulgados demonstram a complexidade desse desafio.

Atualmente, 13 frigoríficos localizados na Amazônia possuem autorização para exportar carne para os EUA. Cinco deles estão em Rondônia, onde a legislação local regularizou atividades de pecuaristas que transformaram áreas de conservação em pastos para mais de 200 mil cabeças de gado.

O relatório da Earthsight ressalta que a ampliação das licenças de exportação para frigoríficos aumenta a responsabilidade dos importadores americanos. Estes devem assegurar que suas cadeias de suprimentos não estejam envolvidas em práticas de desmatamento ou outras ilegalidades ambientais.

A JBS, uma das empresas autorizadas a exportar, iniciou a negociação de suas ações na Bolsa de Nova York em junho, mesmo diante da oposição de grupos ambientalistas. Recentemente, o Ibama multou a empresa em US$ 75 mil, devido à suposta compra de 810 cabeças de gado criadas em áreas embargadas por desmatamento ilegal.

O Ibama enfatizou que o desmatamento sem autorização e o financiamento da criação ou compra de gado em áreas embargadas sustentam um ciclo de ilegalidades que exercem pressão adicional sobre a floresta. Esta operação é a terceira fase de uma iniciativa de longo prazo do Ibama, denominada Carne Fria, destinada a combater práticas ilegais na cadeia produtiva da carne bovina.

Um dos maiores obstáculos é a “lavagem de gado”, onde criminosos transferem animais de áreas desmatadas ilegalmente para fazendas legalizadas antes de vendê-los aos frigoríficos, dificultando a rastreabilidade e a fiscalização efetiva.

O Ibama também aplicou dois autos de infração adicionais à JBS pela compra de 1.209 cabeças de gado que transitaram por áreas embargadas antes de serem adquiridas de fornecedores diretos e aparentemente legais. As fases anteriores da operação Carne Fria, em 2017 e no ano passado, também resultaram em multas para a JBS, incluindo uma penalidade de US$ 108 mil em outubro.

Durante a operação, os fiscais monitoraram aproximadamente 2.100 hectares de terras embargadas no Pará, onde a vegetação foi ilegalmente desmatada e deveria estar em processo de recuperação. Além da JBS, outros cinco frigoríficos foram identificados comprando gado criado nessas áreas. No total, a operação aplicou mais de US$ 118,5 milhões em multas a empresas e pecuaristas envolvidos.

Nos primeiros seis meses de 2025, o Brasil exportou cerca de 180 mil toneladas de carne bovina para os EUA, representando mais que o dobro do volume registrado no mesmo período do ano anterior, conforme dados oficiais. Os EUA são o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, atrás apenas da China. No entanto, as tarifas de 50% impostas pelo governo americano podem impactar significativamente o setor.

Além da JBS, a Earthsight identificou outras grandes empresas como Marfrig Global Foods e Minerva como fornecedoras dos EUA ligadas a desmatamento, grilagem de terras e outros crimes ambientais. A Associação Brasileira de Exportadores de Carne não se manifestou sobre as acusações.

Em resposta à ONG, a JBS declarou que seus procedimentos de monitoramento da cadeia produtiva superam as exigências legais e que a empresa adota uma política de tolerância zero em relação a commodities agrícolas provenientes de áreas de desmatamento. A JBS planeja implementar, a partir de janeiro, uma plataforma onde fornecedores diretos deverão registrar a origem de todos os animais adquiridos.

A Minerva também se manifestou, afirmando que já monitora 100% de seus fornecedores diretos na região e está implementando iniciativas adicionais de rastreabilidade e monitoramento socioambiental. A Marfrig, por sua vez, questionou a metodologia do relatório, argumentando que a existência de áreas com risco de desmatamento nas zonas de fornecimento potenciais não implica automaticamente um vínculo direto com seus fornecedores.

Diante das crescentes pressões para combater o desmatamento e a ilegalidade na cadeia da carne, o setor enfrenta o desafio de equilibrar a produção com a sustentabilidade. As ações governamentais e a vigilância de organizações não governamentais são cruciais para garantir a proteção da Amazônia e a conformidade com as leis ambientais.

Via InvestNews
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Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.