No último fim de semana, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo/SP, foi o epicentro da música pop e alternativa com a realização de mais uma edição do Lollapalooza. Consolidado como um dos maiores festivais do planeta, o evento atraiu uma multidão de 285 mil pessoas. No entanto, por trás dos palcos e da euforia do público, o gigantismo da operação esconde um desafio crítico de governança: a visibilidade sobre uma vasta cadeia de fornecedores que, como mostram casos recentes, pode esconder riscos severos à reputação das marcas envolvidas.
Em um estudo de caso detalhado, Simone Vollbrecht, Head de Compliance da VAAS, e Rafael Mello da Rosa, Sales Manager da startup, analisaram como o processo de Know Your Supplier (KYS) falhou em edições passadas do festival e como a tecnologia é a chave para evitar que grandes empresas sejam associadas a práticas irregulares.
O gargalo do segundo nível
A análise aponta que o erro mais comum no compliance tradicional é interromper a investigação no fornecedor direto. No caso da Rock World, organizadora do festival, problemas com terceirizadas como a FBC Backstage resultaram em autos de infração e resgate de trabalhadores em condições degradantes durante a montagem de eventos.
\”Sempre quem vai entrar em evidência é o conhecido. Não vai sair o nome da empresa menor que tem trabalhadores ali. Será publicado que o Lollapalooza ou o Rock in Rio, por exemplo, têm problemas com trabalho escravo. O risco reputacional é muito alto, o dano é muito alto\”, alerta Rafael Mello.
Simone Vollbrecht reforça que a justiça brasileira já consolidou o entendimento da responsabilidade solidária. \”É uma obrigação da empresa contratante verificar se as empresas contratadas estão seguindo as regras trabalhistas e as melhores práticas\”, explica a especialista.
Ela ressalta que o argumento de desconhecimento não sustenta a defesa: \”A empresa organizadora do festival tem formas de verificar durante a montagem, ela também está lá e ela tem esse dever de auditoria\”, avalia Vollbrecht.
Os pontos cegos das listas oficiais
Um dos grandes desafios destacados no estudo é a atualização das fontes de dados. A \”Lista Suja\” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é atualizada apenas semestralmente, o que cria um hiato perigoso de seis meses onde novas irregularidades podem passar despercebidas.
Para fechar essa lacuna, a utilização de mídias negativas e o cruzamento de dados de sócios tornam-se essenciais. \”A mídia vem antes do que necessariamente a publicação ou a entrada em uma lista\”, observa Simone. Além disso, a análise societária impede que empresas com históricos irregulares simplesmente abandonem um CNPJ e abram outro com os mesmos donos para continuar operando sem restrições.
Conferência manual é passível de erros
Com mais de 170 fornecedores envolvidos em um evento desse porte, a conferência manual torna-se humanamente inviável e passível de erros. Rafael explica como a tecnologia automatiza o que antes exigia horas de análise em PDFs de mais de 50 páginas disponibilizados pelo governo.
\”Juntar todas essas listas dentro de uma única plataforma dá celeridade ao processo\”, afirma Rafael. Ele detalha que o sistema da VAAS permite criar fluxos de \”risco proibido\”, onde empresas com históricos graves em listas da Interpol, do FBI ou do MTE são barradas automaticamente no início do processo.
O monitoramento contínuo também foi citado como peça-chave, garantindo que a segurança não se encerre após a aprovação inicial. \”O próprio sistema já deixa automatizado e dá um alerta caso tenha alguma novidade dentro desse fornecedor\”, afirma Rafael, destacando que isso remove a dependência de processos manuais que podem falhar devido a férias ou rotatividade de funcionários.
Automação do KYS é uma questão de responsabilidade ética e jurídica
Simone Vollbrecht conclui reforçando que a antecipação de riscos é o único caminho para evitar que episódios como esses se repitam. \”O ponto crucial é se as empresas conseguem identificar esses sinais antes que eles se transformem em um processo judicial e se possuem capacidade de monitorar essa evolução continuamente. Isso é um assunto muito sério\”, pontua a Head de Compliance da VAAS.
Para a especialista, a automação do KYS não é apenas uma questão de eficiência, mas de responsabilidade ética e jurídica: \”Existem formas de prever esses cenários. Nosso objetivo é ajudar as empresas a consolidarem processos mais robustos para tornar a cadeia de fornecimento mais segura, garantindo que grandes marcas operem com integridade e que os trabalhadores tenham condições dignas\”, finaliza Vollbrecht.
Sobre a VAAS
Fundada em Florianópolis e com presença em São Paulo, a VAAS é uma empresa de tecnologia especializada em gestão de risco inteligente. Sua plataforma conecta mais de 40 fontes de dados e utiliza IA preditiva para automatizar processos de KYC, prevenção à lavagem de dinheiro e falhas regulatórias. Com mais de R$ 50 milhões em contratos ativos, a startup lidera a transição para um compliance digital, autônomo e integrado à estratégia de negócios. Mais informações estão disponíveis no site www.vaas.com.br.
Via: Grayce Rodrigues
