Magnata indiano investe US$ 100 bilhões apesar de indiciamento

Magnata indiano decide investir US$ 100 bilhões, mesmo após ser indiciado nos EUA. Entenda o impacto dessa decisão no mercado.
25/06/2025 às 14:46 | Atualizado há 2 meses
Investimento de Adani nos EUA
Negócios se recuperam após o segundo grande escândalo em dois anos. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

Após ser indiciado nos EUA em novembro, o bilionário Gautam Adani reafirmou os planos do Grupo Adani de realizar um investimento de Adani nos EUA, com um aporte de capital anual entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos. Essa declaração foi feita durante sua primeira aparição diante dos acionistas.

O grupo, que tem atividades diversificadas desde portos marítimos até a produção de energia, também anunciou que um novo aeroporto começará a operar em breve, localizado em um subúrbio de Mumbai. Adicionalmente, o conglomerado planeja inaugurar uma unidade de produção de módulos solares com capacidade de 10 GW no próximo ano fiscal, visando atingir uma capacidade total combinada de 100 GW em energia térmica e renovável até 2030.

Este anúncio de investimento surge em um momento crucial, buscando reafirmar a solidez dos negócios do grupo após recentes desafios. Em 2023, a Hindenburg Research acusou o grupo de manipulação de ações e fraude contábil. No ano seguinte, promotores federais dos EUA indiciaram Adani e seus colaboradores por um suposto esquema de suborno.

Embora o grupo negue as acusações de que Adani e seus auxiliares tentaram subornar funcionários do governo indiano com mais de US$ 250 milhões para garantir contratos para a Adani Green Energy Ltd., as repercussões foram consideráveis.

Após a divulgação do caso, o Quênia cancelou contratos de aeroportos e transmissão de energia no valor de US$ 2,6 bilhões, e Adani desistiu de um acordo de empréstimo para um terminal portuário no Sri Lanka. A TotalEnergies SE suspendeu novos investimentos em sua parceria com Adani, e a unidade indiana do grupo encerrou sua joint venture com a Wilmar International Ltd., vendendo sua participação ao parceiro de Singapura.

Nos últimos meses, Adani tem se dedicado a retomar as atividades normais. A unidade de aeroportos do grupo garantiu US$ 750 milhões em financiamento, com uma opção de mais US$ 250 milhões, de investidores liderados pela Apollo Global Management Inc. Recentemente, o empresário viajou à China para se encontrar com fabricantes de equipamentos industriais, um possível sinal de confiança de que as acusações não representam mais um obstáculo.

Em seu discurso aos acionistas, Adani enfatizou que ninguém do Grupo Adani foi acusado de violar a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) nos EUA, interpretando isso como uma validação dos padrões de governança e conformidade do conglomerado. Apesar da investigação envolver a FCPA, as autoridades não aplicaram essa lei contra ele.

O Departamento de Justiça o acusou de fraude de valores mobiliários, conspiração para cometer fraude de valores mobiliários e fraude eletrônica. Os promotores alegam que ele prometeu US$ 250 milhões em subornos a autoridades regionais na Índia para garantir contratos de energia solar. A alegação central é que ele enganou credores americanos ao afirmar falsamente que sua empresa estava em total conformidade com as leis anticorrupção.

Representantes do empresário se reuniram com autoridades da administração Trump para tentar a retirada das acusações criminais. Argumentam que essa perseguição não se alinha com as prioridades do governo dos EUA.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.