Pesquisas indicam que 65% das pessoas acreditam estar menos expostas aos riscos das mudanças climáticas do que outras. Esse fenômeno, chamado viés de otimismo, foi observado em diversos países e culturas.
O estudo analisou dados de mais de 70 mil participantes e revelou que a percepção do risco diminui conforme a comparação se amplia: da própria pessoa para grupos maiores, como o país e a humanidade.
Essa distorção pode dificultar ações sociais e políticas de combate ao aquecimento global. Entender essa percepção é essencial para melhorar o engajamento em medidas eficazes no Brasil.
Apesar dos impactos crescentes do aquecimento global, para a maioria das pessoas as mudanças climáticas ainda parecem ser um problema dos outros. Uma revisão publicada na Nature Sustainability revelou que 65% dos entrevistados acreditam estar menos expostos aos riscos climáticos do que outras pessoas, fenômeno conhecido como viés de otimismo.
A análise considerou dados de 83 estudos em 17 países, envolvendo mais de 70 mil participantes. O resultado mostrou que, independentemente da região, a maioria imagina que as consequências das alterações no clima tendem a atingir mais outras pessoas ou grupos do que a si mesmos. Essa percepção aumenta conforme o “outro” se torna mais abrangente, como a comparação com o país ou a humanidade.
Por outro lado, populações mais diretamente dependentes do clima, como fazendeiros na China e Coreia do Sul, apresentam menos essa tendência. Isso demonstra que o contato diário com os efeitos climáticos influencia a percepção do risco individual.
Esse distanciamento na percepção do perigo pode afetar as respostas sociais e políticas, tornando mais difícil implementar medidas eficazes para adaptar e mitigar os efeitos do aquecimento global. A pesquisa ressalta a importância de entender como as pessoas veem o problema para que estratégias sejam alinhadas, especialmente em regiões menos afetadas atualmente.
O viés observado não é exclusivo ao tema ambiental e é semelhante ao que ocorre em outros contextos, como no consumo de cigarro, quando as pessoas subestimam os riscos para si mesmas.
Compreender essa dinâmica é relevante para aprimorar o engajamento coletivo frente às mudanças que já estão acontecendo no planeta.
Via Super