Mercosul e União Europeia: cotas e barreiras dificultam expansão do agronegócio brasileiro

Acordo Mercosul-UE impõe cotas e barreiras técnicas que restringem ganhos do agronegócio brasileiro no mercado europeu.
13/01/2026 às 15:09 | Atualizado há 3 horas
               
Condições favorecem grandes exportadoras, prejudicando pequenos produtores locais. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia apresenta limitações significativas para o agronegócio brasileiro. As cotas para carne bovina e aves são pequenas em relação à demanda europeia e beneficiam principalmente grandes empresas que conseguem cumprir os rígidos requisitos de certificação e operação.

Além das cotas, barreiras técnicas, como o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento, impõem exigências ambientais e de rastreabilidade que podem excluir pequenos produtores. Isso cria um cenário de “agronegócio de duas velocidades” com concentração de investimentos em poucos produtores.

A União Europeia também conta com mecanismos de defesa comercial, como salvaguardas que limitam o crescimento das importações em produtos sensíveis, trazendo insegurança jurídica aos exportadores brasileiros. No setor do café, as mudanças são mais voltadas para produtos de maior valor agregado, sem alterar a cadeia produtiva do bloco.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem um impacto restrito para o agronegócio brasileiro. As cotas de importação para carne bovina (99 mil toneladas) e aves (180 mil toneladas) representam apenas 1,5% a 2% do mercado europeu, favorecendo principalmente grandes empresas com capacidade para cumprir os rigorosos processos de certificação e custos operacionais do bloco.

Além de limites nas quantidades, o tratado traz desafios com barreiras técnicas, especialmente ambientais. O Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento, previsto para vigorar no fim de 2026, exigirá rastreabilidade detalhada e sistemas avançados de geolocalização, o que pode excluir pequenos produtores que não consigam cumprir estas normas.

Analistas destacam a formação de um “agronegócio de duas velocidades”, onde menos de 5% dos produtores concentram investimentos altos, enquanto a maioria corre risco de ficar de fora do mercado internacional devido às exigências de certificação e controle rigorosos.

Há também mecanismos de defesa comercial na UE, como salvaguardas que podem ser acionadas caso as importações cresçam mais de 5% em produtos sensíveis, criando um ambiente de insegurança jurídica para os exportadores brasileiros. No setor de café, a redução tarifária incentivará a exportação de produtos com maior valor agregado, mas sem grandes mudanças na cadeia produtiva europeia.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.