O mês de junho marca um período de celebração e visibilidade para a comunidade LGBTQIA+, com empresas adotando as cores do arco-íris em suas campanhas. No entanto, é crucial que as ações de marketing e os símbolos de apoio se traduzam em transformações profundas e duradouras no ambiente de trabalho, combatendo a desigualdade e promovendo a **Inclusão LGBTQIA+ no trabalho**.
Dados recentes revelam a urgência dessa mudança. Uma pesquisa do LinkedIn aponta que 43% dos profissionais LGBTQIA+ já enfrentaram discriminação no ambiente de trabalho. Apesar de representarem cerca de 7% da população brasileira, ocupam apenas 4,5% dos empregos, segundo a consultoria To.gather. A situação é ainda mais crítica para pessoas trans, com apenas 0,38% inseridas no mercado formal.
Um dos principais obstáculos para a **Inclusão LGBTQIA+ no trabalho** é o processo seletivo. A pressa em preencher vagas e a falta de políticas claras podem reforçar preconceitos inconscientes, prejudicando candidatos LGBTQIA+, especialmente em contratos temporários. É fundamental que as empresas tratem essa modalidade de contratação com seriedade, considerando-a uma porta de entrada para grupos marginalizados.
A **Inclusão LGBTQIA+ no trabalho** efetiva começa no primeiro contato com o candidato e se estende a todas as etapas, desde a comunicação da vaga em linguagem acessível até o onboarding e o acompanhamento do profissional. Diversidade e inclusão devem ser pilares da estratégia de negócios, garantindo respeito e segurança para todas as identidades. Lideranças preparadas, cultura de acolhimento e escuta ativa são essenciais para construir um ambiente seguro.
Políticas inclusivas devem abranger todos os tipos de vínculo empregatício: efetivos, temporários e terceirizados. A contratação temporária, quando bem estruturada, pode ser uma ferramenta poderosa de **Inclusão LGBTQIA+ no trabalho**. Para isso, é necessário mapear vulnerabilidades, capacitar os profissionais, estabelecer metas e monitorar os resultados. Essa prática deve integrar a política de diversidade da empresa, e não ser vista como uma exceção.
O setor de Recursos Humanos desempenha um papel estratégico na criação de ambientes justos e equitativos. Revisar critérios de seleção, capacitar lideranças e implementar planos de ação contínuos, baseados em dados e indicadores, são ações cruciais. A nova versão da NR-1, que reconhece a segurança psicológica como essencial na gestão de riscos, reforça a importância de espaços onde todos possam existir plenamente, sem medo de retaliação.
Incluir vai além de abrir portas: é garantir permanência, respeito e dignidade. Lideranças formadas com empatia, ciência e dados têm o poder de transformar culturas organizacionais e vidas. A transformação começa com o compromisso genuíno de acolher o outro, independentemente de sua identidade.
Ao invés de apenas exibir símbolos de apoio durante o Mês do Orgulho, as empresas devem se comprometer com ações concretas para promover a **Inclusão LGBTQIA+ no trabalho**, criando ambientes mais justos e equitativos para todos.
Via Exame