Nos últimos dez anos, mortes de mulheres relacionadas ao consumo de álcool cresceram 20% no Brasil, segundo o Cisa. Internações por causas ligadas ao álcool aumentaram 41% no mesmo período.
Estudo da UFMG associa esse crescimento ao maior ingresso feminino no mercado de trabalho, marketing específico e impactos da pandemia. Mulheres ficam mais vulneráveis aos efeitos do álcool devido a fatores biológicos.
O álcool pode afetar saúde reprodutiva, agravar sintomas da menopausa e aumentar risco de doenças graves como câncer de mama e problemas cardiovasculares.
Nos últimos dez anos, as mortes atribuídas ao uso de álcool entre mulheres no Brasil subiram 20%, segundo dados do Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool). Além disso, as internações por causas relacionadas ao consumo de bebida alcoólica aumentaram 41% de 2014 a 2024. Esses números refletem o crescimento do consumo abusivo entre o público feminino, apontado também pela pesquisa Vigitel, que mostra maior frequência e volume de ingestão de álcool pelas mulheres.
Especialistas destacam uma questão biológica importante: como as mulheres têm menos água no corpo e quantidade menor das enzimas que metabolizam o álcool, ficam mais vulneráveis aos efeitos negativos. Isso provoca o desenvolvimento precoce de problemas de saúde, mesmo com consumo menor em comparação aos homens, que apresentaram crescimento apenas nas internações, sem aumento nas mortes.
Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) relaciona essas mudanças no padrão de consumo feminino ao maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho, campanhas de marketing direcionadas e ao impacto da pandemia de Covid-19.
O uso de álcool pode afetar o organismo feminino em muitas fases da vida, como alterar o ciclo menstrual, ovulação, diminuir as chances de gravidez e causar danos ao feto. Durante a menopausa, o álcool agrava sintomas como ondas de calor, alterações de humor e problemas no sono. Na fase pós-menopausa, ele pode interferir na absorção de cálcio, pressão arterial e na progressão de doenças relacionadas a hormônios.
Além disso, mulheres que consomem álcool têm maior risco de doenças hepáticas, cardiovasculares, transtornos mentais e câncer de mama.
Via ES Hoje