Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangeia começou a se fragmentar, dando origem aos continentes atuais. Uma pesquisa recente questiona a ideia de que o calor acumulado sob o supercontinente foi o principal causador dessa separação.
Os cientistas analisaram a espessura da crosta oceânica formada após o rompimento, encontrando variações térmicas mais moderadas e regionais. O aumento de temperatura não foi generalizado, indicando outros fatores envolvidos na fragmentação.
O estudo sugere que o resfriamento gradual da Terra e a interação de tensões tectônicas e falhas antigas também influenciaram esse processo. Essa nova visão impacta o entendimento sobre a dinâmica da Terra e seus efeitos atuais.
Há cerca de 200 milhões de anos, o supercontinente Pangeia começou a se romper, dando origem aos continentes que conhecemos hoje. A partir de uma pesquisa recente publicada na revista Earth and Planetary Science Letters, cientistas repensam uma teoria tradicional que dizia que o calor acumulado sob Pangeia teria sido o principal motor dessa fragmentação.
Essa ideia, conhecida como “isolamento térmico”, considerava que o enorme bloco continental teria impedido o escape do calor do manto terrestre, causando seu superaquecimento e facilitando a abertura de fraturas nas placas tectônicas. Contudo, a análise detalhada da espessura inicial da crosta oceânica formada após a separação mostra variações térmicas mais sutis e regionais.
Os registros geológicos indicam que a crosta oceânica nas áreas onde o Atlântico e o Índico começaram a abrir possui espessura próxima à atual, com variações entre 5,5 e 6,7 km. Esse dado sugere que o aumento térmico foi moderado, com elevações de temperatura entre 9 e 15°C em algumas regiões e máximos de até 60°C, longe do superaquecimento generalizado.
Além disso, o estudo destaca que o resfriamento gradual da Terra ao longo de milhões de anos, chamado de resfriamento secular, explica parte da variação térmica observada. Isso indica que a fragmentação da Pangeia não foi causada somente pelo acúmulo de calor, mas também pela interação complexa de tensões tectônicas, falhas antigas na litosfera e diferenças na composição das rochas.
Compreender esses processos ajuda a explicar a dinâmica do nosso planeta, que impacta desde a formação de oceanos até os padrões climáticos atuais.
Via Olhar Digital