Nova técnica permite identificar o subsolo sem escavações e apoia mineração sustentável

Pesquisadores criam método que mapeia o subsolo sem escavar, otimizando a mineração sustentável e reduzindo impactos ambientais.
31/01/2026 às 07:22 | Atualizado há 4 dias
               
Pesquisa da USP mapeou camadas utilizando radar e condutividade elétrica. (Imagem/Reprodução: Redir)

Pesquisadores da USP e da Universidade de Toronto desenvolveram uma técnica que permite visualizar o subsolo sem a necessidade de escavar. O método combina radar e condutividade elétrica para mapear formações geológicas com precisão, facilitando a mineração sustentável.

Combinando três tecnologias específicas, a técnica mapeia até 600 metros de profundidade e identifica regiões com areia seca e saturada. Isso otimiza a extração e ajuda a reduzir custos e impactos ambientais.

O avanço traz ganhos para a sustentabilidade e eficiência nas operações de mineração, além de possibilitar aplicações em outras áreas que exigem monitoramento subterrâneo controlado.

Pesquisadores da USP e da Universidade de Toronto desenvolveram uma técnica que permite “ver” o subsolo sem a necessidade de escavações, facilitando a mineração sustentável. O estudo utilizou métodos baseados em radar e na condutividade elétrica das camadas geológicas para mapear a formação de areia em Leme (SP), uma região onde materiais podem ter até 220 milhões de anos.

Os especialistas combinaram três tecnologias: a tomografia de resistividade elétrica (ERT), que alcança até 60 metros de profundidade; o método eletromagnético no domínio do tempo (TEM), chegando a 600 metros; e o radar de penetração no solo (GPR), que mapeia até 40 metros. Estas técnicas exploram as diferenças na capacidade de conduzir correntes elétricas, relacionadas à umidade e à porosidade das rochas.

Esse mapeamento detalhado identifica exatamente onde está a areia seca, de exploração mais simples, e onde se encontra a areia saturada por água, que requer processos mais custosos como o rebaixamento do lençol freático e secagem em fornos. Isso permite otimizar a extração, reduzindo impactos ambientais.

Segundo Jorge Luís Porsani, coordenador da pesquisa, o custo da análise representa cerca de 10% do investimento total da mineração, mas os ganhos em sustentabilidade e eficiência podem ser significativos. A técnica traz um avanço no monitoramento subterrâneo e pode ser aplicada em outras áreas com necessidade de exploração controlada.

Via Folha de S.Paulo

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