Novo modelo brasileiro simula habitabilidade de lagos antigos em Marte

Estudo da USP simula condições que permitiram vida em lagos antigos de Marte com proteção contra radiação UV.
15/12/2025 às 06:05 | Atualizado há 3 meses
               
A descrição sugere que pesquisas indicam que microrganismos podem existir em Marte. (Imagem/Reprodução: Redir)

Pesquisadores da USP desenvolveram um modelo que simula a viabilidade de vida microbiana em lagos antigos de Marte. O estudo mostra que íons de ferro na água podem proteger organismos da radiação ultravioleta prejudicial.

Experimentos com leveduras sensíveis à radiação indicam que mesmo em águas superficiais, as condições permitiriam a sobrevivência e crescimento dos microrganismos. Simulações também sugerem que lagos com até 30 metros de profundidade, como na cratera Jezero, poderiam ter sido habitáveis.

O modelo é importante para entender a possibilidade de vida extraterrestre no planeta vermelho. A pesquisa envolveu cientistas da USP, UFSCar e Universidade Paulista, colaborando para ampliar o conhecimento sobre habitabilidade marciana.

Pesquisadores do Laboratório de Astrobiologia da Universidade de São Paulo criaram um modelo que simula a viabilidade de vida microbiana em lagos antigos de Marte, mostrando como íons de ferro na água poderiam proteger organismos da radiação ultravioleta nociva. O estudo, publicado na revista Astrobiology, analisou experimentos com a levedura Saccharomyces boulardii, usada por sua sensibilidade à radiação e resistência a condições ácidas.

O modelo indica que, mesmo com níveis baixos de ferro (Fe+3), a radiação ultravioleta tipo C, que a atmosfera rarefeita de Marte não bloqueia, poderia ser absorvida, permitindo a sobrevivência e reprodução dos microrganismos. Para isso, a população deveria manter um equilíbrio entre mortes por radiação e crescimento. A levedura sobreviveu a radiações crescentes em laboratório dentro de soluções aquosas com diferentes concentrações do íon metálico.

Simulações sugerem que lagos marcianos primitivos poderiam ser habitáveis, mesmo próximo à superfície, com profundidade mínima de 1 centímetro para a levedura testada e até 1 metro para microrganismos como o Acidithiobacillus ferrooxidans. A presença de jarosita em Marte, um mineral formado em águas ácidas, reforça essa hipótese, indicando alto teor de ferro em lagos que podem ter tido até 30 metros de profundidade na cratera Jezero, explorada pelo rover Perseverance da Nasa.

Especialistas consideram que o modelo é relevante para entender condições de habitabilidade extraterrestres e confirmar a possibilidade de vida microbiana no planeta vermelho. O trabalho contou com a colaboração de cientistas da USP, Universidade Federal de São Carlos e Universidade Paulista.

Via Folha de S.Paulo

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