Oliver Sacks admitiu sentir culpa por falsificações em seus livros, diz revista

Neurologista Oliver Sacks confessou culpa por mentiras e alterações em obras famosas, revela revista americana.
26/12/2025 às 07:01 | Atualizado há 3 meses
               
Neurologista retrata pacientes com detalhes emocionantes e toque romântico. (Imagem/Reprodução: Redir)

O neurologista Oliver Sacks, conhecido por seus relatos sobre casos clínicos, admitiu sentir culpa por mentiras e falsificações em seus livros. A revista americana The New Yorker teve acesso a diários e cartas inéditos em que o autor confessa ter alterado fatos em obras como “O Homem que Confundiu Sua Mulher com um Chapéu” para proteger a privacidade dos pacientes.

Sacks descreveu essa prática como uma mistura de relato, imaginação e ficção, gerando conflito entre rigor científico e narrativa pessoal. Ele considerava suas alterações uma forma de equilibrar a verdade com uma narrativa mais positiva, mas sentia uma profunda culpa, chegando a chamar isso de “sensação de criminalidade hedionda”.

Essas revelações trazem uma visão complexa do trabalho de Sacks, que apesar de admirado, passou por questionamentos sobre a fidelidade dos fatos em suas obras. O caso mostra o desafio entre ética e literatura científica na divulgação de histórias reais.

O neurologista britânico Oliver Sacks (1933-2015), conhecido por seus relatos detalhados sobre pacientes, confessou em diários sentir culpa por mentiras e falsificações em seus livros. A revista americana The New Yorker teve acesso a correspondências e diários inéditos do autor pela Fundação Oliver Sacks, revelando que Sacks reconhecia ter fabricado detalhes em obras como “O Homem que Confundiu Sua Mulher com um Chapéu” e “Tempo de Despertar”.

Em um dos diários, o autor afirmou que sua culpa aumentou após o sucesso do livro “Hat”, como ele chamava a obra. Relatou uma “sensação de criminalidade hedionda” ligada às falsificações. Ele justificava as alterações como formas de proteger a privacidade dos pacientes, preservando o essencial de suas histórias.

Um exemplo citado foi o capítulo “Rebecca”, onde Sacks transforma a realidade de uma paciente em luto, mudando o desfecho para algo mais positivo que os próprios registros originais contrariavam. O neurologista tentava equilibrar os fatos com sua narrativa pessoal, chegando a definir seu trabalho como “meio relato, meio imaginação, meio ciência, meio fábula”.

Outro caso envolve os “Gêmeos”, com supostas habilidades para recitar números primos, história que estudos contestaram e que, segundo Sacks, tinha raízes em sua própria infância e memórias.

Essas revelações mostram um retrato complexo do escritor e médico, cuja obra misturava rigor científico e licença literária para atingir um público amplo, mas que hoje sofre questionamentos sobre sua fidelidade aos fatos.

Via Folha de S.Paulo

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.